quinta-feira, março 24, 2016

Texto de Filipa Vala: Desintoxicando a comunicação social portuguesa

“A cobertura que a comunicação social portuguesa tem feito da suposta associação de Lula da Silva à Lava Jato é inacreditável. numa tentativa de tentar perceber o que se passa, li uma série de coisas e resumo essa informação no texto abaixo, caso interesse a mais alguém. toda a informação utilizada (artigos de jornal, comunicados de imprensa e a transcrição do interrogatório de 4 de março) é pública e está disponível na internet e posso enviar os links a quem quiser.
O EXTRAORDINÁRIO CASO DO TRIPLEX E O NÃO MENOS EXTRAORDINÁRIO PEDIDO DE PRISÂO PREVENTIVA DE INÁCIO
O pedido de prisão preventiva de Lula baseia-se no caso do famoso triplex de Guarujá. Lula prestou voluntariamente declarações e tornou públicos documentos sobre o caso em janeiro deste ano. Em março, é levado de sua casa para um interrogatório. Trata-se de uma condução coercitiva efetuada com grande aparato mediático. A transcrição do interrogatório está disponível online – Lula responde reiterando os mesmos argumentos que já tinha utilizado em janeiro. É libertado horas depois.
Seis dias depois do interrogatório surge o pedido de prisão preventiva que abrange Lula e mais seis pessoas (familiares e funcionários do Instituto Lula). O pedido é feito por três promotores de São Paulo, com base no argumento de que os visados constituirão “ameaças à ordem pública”. A Juíza da 4ª Vara Criminal de São Paulo, a quem compete analisar o pedido, decide, quatro dias depois, que não compete àquela Vara conduzir a investigação. Tal como foi formulado, o pedido de prisão preventiva é feito com base no argumento que Lula é dono de um triplex, que adquiriu através de uma empresa (a OAS) que está a ser investigada no âmbito do Lava Jato. Tal como foi formulado, o pedido de prisão preventiva tem por base a suspeita que Lula usufruiu, adquirindo o triplex, de um esquema de lavagem de dinheiro. Em resposta ao pedido de prisão preventiva, a Juíza argumento que se o triplex está a ser investigado como prova de lavagem de dinheiro através da OAS, então está a ser investigado no âmbito do processo Lava Jato e, então, cabe ao Juiz que conduz esse processo decidir do pedido de prisão preventiva. Esse juiz é Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
O problema que se coloca a qualquer Juiz que aceite o pedido de prisão preventiva é aceitar o que existe como suficiente para legitimar a suspeita de que Lula (e as restantes pessoas) estão envolvidas num esquema de lavagem de dinheiro e que constituem, ficando em liberdade, uma ameaça à ordem pública. Isto passa obrigatoriamente por aceitar primeiro que há evidência suficiente para suspeitar que o triplex é de Lula (ou do seu Instituto). Como se chega à relação entre Lula e a OAS?
Lula e o triplex
Em 2005, a mulher de Lula (Marisa Silva) inscreve-se na Bancoop, uma cooperativa de habitação, adquirindo uma quota parte para a construção de um empreendimento de habitação em Guarujá, em troca de entregas periódicas. Como acontece nas cooperativas de habitação, cada associado teria direito a uma unidade no futuro edifício.
A Bancoop entra em dificuldades financeiras e parte dos seus empreendimentos são transferidos para a OAS, incluindo o empreendimento de Guarujá. O processo desta transferência é mediado pelo Ministério Público. Quando isto acontece, em 2009, Marisa suspende os pagamentos e recusa aderir ao contrato com a OAS, mas mantém o direito de resgatar o investimento que entretanto fez na Bancoop e no empreendimento. O investimento aparece nas declarações fiscais de Lula, uma vez que Lula é casado com Marisa em comunhão de bens. Em 2014 Lula e Marisa visitam uma unidade do empreendimento (entretanto concluído em 2013). A ideia é adquirir um apartamento e assim saldar o investimento feito. A unidade que visitam é o famoso triplex. A unidade é visitada também, depois, por Marisa e pelo filho. O casal decide não adquirir o apartamento.
Em 2015, no entanto, o jornal O Globo noticia, em primeira página, que Lula é dono do apartamento (“Dinheiro liga doleiro da Lava-Jato à obra de prédio de Lula”). O jornal fundamenta o título (“prédio de Lula”) em depoimentos de vizinhos. O caso ganha dimensão mediática e o casal decide, em novembro de 2015, assinar o que recusou em 2009 - o “Termo de Declaração, Compromisso e Requerimento de Demissão do Quadro de Sócios da Seccional Mar Cantábrico da Bancoop”. Assinando este termo, o casal perde 10% do capital, à semelhança do que acontece(u) aos outros associados que toma(ra)m a mesma decisão, e ganha o direito de ser reembolsado, por tranches, do restante valor (o reembolso, entretanto, não foi iniciado).
Em janeiro de 2016, a revista Veja publica uma entrevista a Cássio Conserino (“O Triplex de Lula – A hora da verdade – O Ministério Público decide denunciar o ex-presidente pelo crime de ocultação de património no caso do apartamento de Guarujá reformado e mobilado por uma das empreiteiras punidas na operação Lava-Jato”). Conserino, promotor da 4ª Vara de São Paulo, anuncia na entrevista (antes mesmo de indiciar os visados) que vai denunciar Lula e Marisa por lavagem de dinheiro e ocultação de património, ao abrigo de uma ação daquela Vara contra a Bancoop.
A ação da 4ª Vara de São Paulo contra a Bancoop resulta do avolumar de queixas de associados contra a cooperativa: famílias que pagaram e nunca receberam uma unidade, famílias que receberam uma unidade mas a quem não foi feita escritura, etc. No processo Bancoop, que dura há 10 anos (foi aberto em 2006), os nomes de Lula e Marisa nunca tinham surgido. Mas, no prédio de Guarujá, existe(m) apartamento(s) triplex relacionado(s) com ocultação de património: registado(s) como propriedade de uma offshore ligada a uma empresa no Panamá. É isto que leva Conserino a “denunciar” Lula e Marisa. Para o promotor (como para o jornal O Globo, em agosto de 2015), eles estarão no esquema. É ilegal anunciar uma denúncia antes da intimação e da possibilidade de defesa. O Ministério Público recua ("O Ministério Público não antecipou denúncia. Só exteriorizou, em homenagem ao interesse público que norteia a questão, que as provas coligidas apontam para a possibilidade de uma denúncia") e Conserino, que já foi punido anteriormente por atuações semelhantes, alega que fez a denúncia para responder ao “anseio das ruas”.
Depois de ser oficialmente intimado, Lula não só depõe (voluntariamente) em janeiro de 2016, como torna públicas as suas declarações de rendimento e a documentação relativa à relação do casal com a Bancoop. O objetivo é mostrar que não há, nem houve, ocultação de património (o investimento é declarado) e que, tendo havido um investimento no âmbito da Bancoop, nunca houve lugar à utilização deste para aquisição de uma unidade da OAS - como atesta o “Termo de Declaração, Compromisso e Requerimento de Demissão do Quadro de Sócios da Seccional Mar Cantábrico da Bancoop” que Marisa assinou em novembro de 2015 e que Lula divulga em janeiro de 2016 – e, como atesta também, o título de propriedade do apartamento que está em nome da OAS.
Mas, a 4 de março de 2016, Lula volta a ser indiciado, desta feita sob a forma de condução coercitiva. Esta ação é conduzida ao abrigo da operação Triplo X da Polícia Federal, que procura estabelecer uma relação entre o edifício de Guarujá e resultados de investigações Lava Jato. As investigações Lava Jato são da responsabilidade do Juiz Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba. Lula responde no interrogatório utilizando os mesmos argumentos que utilizou em janeiro durante o inquérito do Ministério Público de São Paulo - aliás porque as perguntas são as mesmas. Entrega também um dossier com todos os documentos que já tornou públicos em janeiro de 2016.
A dada altura a defesa de Lula salienta que o âmbito das investigações se sobrepõe, que isso é ilegal, e que a defesa aguarda decisão sobre um requerimento submetido ao Supremo Tribunal Federal. O requerimento pede que a investigação sobre a propriedade do triplex (e de um sítio em Atibaia que Lula admite utilizar com Marisa, mas de que afirma não ser proprietário – e para o qual também existe uma escritura em nome de terceiros) seja retirada da 13ª Vara de Curitiba. Este pedido da Defesa é recusado pelo Supremo no próprio dia 4 de março (mas já depois do interrogatório que se iniciou às 8h da manhã). A recusa surge por se considerar não haver "ilegalidade irrefutável, patente e de imediata compreensão", por se considerar que as duas investigações têm objetivos diferentes, e por estarem ainda numa fase precoce o que poderia vir a revelar que “os dois Ministérios Públicos envolvidos estejam trabalhando a mesma realidade em perspetivas diferentes".
O pedido de prisão preventiva
No dia 10 de março é tornado público o pedido de prisão preventiva de Lula. Conserino (da ação contra a Bancoop do Ministério Público de São Paulo), é um dos três promotores que pede à Juíza da 4º Vara de São Paulo a prisão preventiva de Lula. E em que se baseia o pedido? Não em informação adicional que tenha surgido no seguimento dos interrogatórios aos indiciados no âmbito do processo contra a Bancoop que decorre na 4ª Vara de São Paulo, ou do interrogatório coercitivo a Lula (e a outros indiciados) ao abrigo da Triplo X no âmbito do Lava Jato, ou das respetivas buscas entretanto realizadas, mas nas declarações de testemunhas – funcionários e ex-funcionários da OAS, vizinhos, empregados do prédio – que Conserino reuniu. As testemunhas afirmam que Lula é proprietário do triplex.
O pedido de prisão preventiva é feito, portanto, recorrendo exatamente ao mesmo tipo de “prova” de propriedade em que O Globo apoiava a sua manchete de agosto de 2015. Decorridos seis meses e dois processos paralelos, nada foi acrescentado aos factos que supostamente legitimam a suspeita.
E o perigo para a ordem pública? Os promotores de São Paulo sustentam o pedido de prisão preventiva alegando que Lula é um “perigo para a ordem pública”: vale-se “de sua força político partidária para movimentar grupos de pessoas que promovem tumultos e confusões generalizadas, com agressões a outras pessoas, com evidente cunho de tentar blindá-lo do alvo de investigações e de eventuais processos criminais, trazendo verdadeiro caos para o tão sofrido povo brasileiro." No entanto, o pedido de prisão preventiva não inclui, nem provas nem indícios de que Lula tenha utilizado a sua influência para ameaçar testemunhas ou mobilizar terceiros para que o façam, contribuindo com isso para o “caos” que atormenta o “tão sofrido povo brasileiro”. A extrema fragilidade de argumentação do pedido de prisão preventiva é por isso criticada publicamente por outros juristas.
A nomeação
Dilma convidou Lula pelo menos três vezes para ser ministro do seu governo (a primeira ainda em 2015). Lula tinha afirmado, também em 2015, que não seria candidato a presidente. Durante o interrogatório coercitivo, no entanto, Lula afirma que pretende candidatar-se em 2018 (“vou ser candidato à Presidência em 2018 porque acho que muita gente que fez desaforo pra mim, vai aguentar desaforo daqui pra frente. Vão ter que ter coragem de me tornar inelegível”).
No dia em que é tornado público o pedido de prisão preventiva (10 de março), Dilma renova o convite. Lula está numa reunião com membros do PT quando lhe dão conhecimento do pedido de prisão preventiva e, segundo A Gazeta do Povo (de 10 de março), recusa o convite. Cinco dias depois, a Reuters escreve, por um lado, que fontes próximas do Planalto afirmam que Lula foi praticamente convencido a entrar no governo e, por outro, que uma fonte do Instituto Lula afirma que a aceitação, naquela fase, é especulação.
No dia 16 a Folha noticia que Lula aceitou o convite e que será nomeado ministro da Casa Civil, o que o coloca à frente do Conselho Económico. Segundo o artigo, além da alteração da política económica, Lula terá negociado uma remodelação governamental e independência para lidar diretamente com as bases, incluindo com os aliados da coligação governamental.
A nomeação de Lula como ministro, retira a Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, o poder de decidir sobre o pedido de prisão preventiva transferido da 4ª Vara de São Paulo. Sendo Lula ministro, o pedido passa a ter que ser analisado e aceite pelo Supremo Tribunal Federal. A tomada de posse de Lula teria lugar no dia seguinte (17 de março) de manhã. É então que, ainda no dia 16 à tarde, Moro levanta o sigilo telefónico das escutas da Lava-Jato, incluindo de conversas entre Lula e Dilma. (Até então as transcrições de escutas da Lava Jato que apareciam na Globo não tinham fonte; desta vez são divulgados os áudios).
No despacho que acompanha a retirada do sigilo, Moro afirma que, “pelo teor dos diálogos gravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo intercetado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”. Numa gravação, Lula afirma que não iria para o governo para se proteger. Noutra, que é do próprio dia 16 às 13h32, Dilma diz a Lula que lhe enviará o Termo de Posse para ele assinar e que este só será usado “se for necessário”. Para a oposição, isto significa que Dilma envia a Lula um papel que o livra de ação policial. Acontece que até à data Moro não aceitou o pedido de prisão preventiva. Um comunicado da Presidência da República, esclarece então que a nomeação de Lula foi publicada em Diário Oficial no mesmo dia, e que o Termo de Posse seria enviado para ser assinado porque não havia a certeza de Lula poder estar na tomada de posse do dia seguinte. Se não pudesse estar presente na cerimónia (“se for necessário”), seria utilizado o Termo de Posse já assinado.
Mas das escutas desclassificadas percebe-se também que não só Lula, mas o seu advogado, Roberto Teixeira, estavam sob escuta já em data anterior ao interrogatório coercitivo. Isto significa que Moro conheceria a estratégia da defesa durante o interrogatório. Da desclassificação percebe-se ainda que o telefone da central do escritório de advogados de Teixeira estava sob escuta - conversas entre 25 advogados e um total de cerca de 300 clientes -, proeza que o Ministério Público Federal terá conseguido porque, no pedido de quebra de sigilo que faz, dá o número do escritório de advogados como sendo o número da Lils, a empresa de palestras de Lula.
Sucedem-se então uma série de pedidos de suspensão da nomeação de Lula. No dia 18 de março, já há 50 pedidos distribuídos por Varas, e 13 entregues ao Supremo. Dos que são entregues em Vara Federais e aceites em decisão provisória por um Juiz, o governo recorre, e o recurso é analisado por Tribunais Regionais Federias (TRF). Como resultado, ao longo do dia, Lula ora é ministro, ora não é.
Dos 13 pedidos que são entregues diretamente ao Supremo, Gilmar Mendes, aceita, ainda no dia 18, os pedidos de suspensão entregues pelo Partido Popular Socialista (PPS) e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). A decisão de Mendes determina que a nomeação de Lula pela presidente Dilma Rousseff ocorreu com desvio de finalidade, ou seja, visando retirar da 13ª Vara Federal de Curitiba o processo contra Lula (dado que os ministros de Estado têm prerrogativa do foro no STF).
Para o PPS uma prova de que o processo deve ficar na 13ª Vara de Curitiba é a decisão do STF (de 4 de março, ver acima) que assim o determina. Gilmar Mendes aceita este argumento. A decisão de 4 de março surge no âmbito da duplicidade de processos (da 4ª Vara de São Paulo e da 13ª de Curitiba) ao abrigo dos quais Lula estava a ser investigado. O que a decisão do STF determina é que nada invalida que “os dois Ministérios Públicos envolvidos estejam trabalhando a mesma realidade em perspetivas diferentes" e que as investigações devem continuar em paralelo nos dois MPs. Lula não era ministro e, portanto, a questão do STF poder conduzir, ou não, a investigação em vez de um Tribunal de 1ª instância não se colocava quando a decisão foi tomada. Acresce que qualquer processo em 1ª instância pode terminar, por sucessões de recursos, no STF (instância de último recurso).
Ainda para o PPS, a prova que Dilma agiu com a finalidade de retirar o processo da 13ª Vara de Curitiba, são as escutas da conversa entre Dilma e Lula de dia 16 de março relativas ao Termo de Posse (o tal que era para usar “só se for necessário”). Ou seja, o PPS - e Mendes, que aceita o argumento -, desconhecem, ignoram ou consideram falso, o comunicado da Presidência da República (que justifica o envio do Termo de Posse para ser assinado porque não havia a certeza de Lula poder estar na tomada de posse nod ia seguinte). Desconhecem porventura também a data de publicação da formalização da nomeação em Diário Oficial, que ocorreu nesse mesmo dia. Para Mendes, claramente, o envio do Termo de Posse tem um objetivo de falsidade: “O objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento de ordem de prisão de juiz de primeira instância”. Esta afirmação é deveras curiosa dado que nem Moro, nem ninguém, aceitou ainda o pedido de prisão preventiva de Conserino e dos seus dois colegas. Mendes parece desconhecer também que não está nenhuma ordem de prisão por cumprir, ou então já sabe que Moro aceitará o pedido de prisão preventiva nos termos em que foi redigido. Por outro lado, a nomeação de Lula não impede uma ordem de prisão – apenas obriga a que o pedido seja aceite pelo STF. Talvez Mendes considere que Moro ajuíza melhor que o STF.
A decisão de Mendes é provisória e passível de recurso – e o governo já anunciou que vai recorrer. A decisão do STF, que requer um plenário (15 ministros), deverá ser votada e anunciada no dia 30 (dado o período de férias da Páscoa). Até lá, Lula não pode despachar como ministro. Também não pode ser preso.
Nota final: o caso é kafkiano. È por isso que me parece impensável que 15 juízes em perfeita posse das suas faculdades emitam um juízo semelhante ao de Mendes. A nomeação de Lula e a assinatura do Termo de Posse no dia 16 não impediram a prisão de Lula – primeiro, porque o pedido de prisão preventiva (ainda) não foi aceite por Juiz algum; segundo, porque mesmo que houvesse um mandato de prisão preventiva emitido por um Juiz de 1ª instância, se Lula não tivesse o Termo de Posse assinado no dia 16 consigo, a formalização da sua nomeação estaria na mesma publicada em Diário Oficial.
Ao contrário de Lula, que durante o interrogatório afirmou, “Eu acho que eu estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil”, eu não acho que o caso seja complicado. A transferência do investimento feito pelo casal na Bancoop para OAS foi circunstancial, não dependeu do casal - foi mediada pelo Ministério Público e envolve mais associados; os indícios de propriedade do triplex que Conserino (e O Globo, em 2015) reuniu não se aguentarão em tribunal - por cada testemunha que afirmar que o triplex é de Lula, será fácil arranjar outra que afirma que não é; e, finalmente, o pedido de prisão preventiva por “ameaça à ordem pública”, tal como foi lavrado, carece de substanciação pois não vem acompanhado de indícios que Lula, ou alguém em seu nome, ande a espancar testemunhas.

Se há, de facto, uma ligação de Lula à Lava-Jato não é claramente a informação pública que já existe (e esta cresceu bastante nos últimos dias, pois foi desclassificada por Moro) que o indicia. E, se o objetivo é continuar a investigação e fazer justiça, o STF pode garanti-lo tão bem ou melhor que um Juiz de 1ª instância – pelo que impedir a nomeação com esse argumento não faz sentido nenhum. Uma decisão igual à de Mendes no dia 30 será política - justiça não me parece que seja.

domingo, outubro 19, 2014

Porque apoio a reeleição de Dilma Rousseff: Um testemunho






Nas redes sociais alguém me acusou de ser paga pelo PT por causa das minhas colocações durante esta campanha eleitoral para a eleição de Presidente do Brasil.
Então decidi escrever este meu testemunho e explicar a razão porque apoio a reeleição de Dilma Rousseff. 

Sou portuguesa, residente no Brasil há quase dois anos, mas desde há mais de seis anos muito engajada com esta nação que já considero minha. 

Sou aposentada pelo meu país de origem e não recebo qualquer recurso financeiro do Brasil, mas recebo o acolhimento, a alegria, a solidariedade e a paixão de um povo maravilhoso que nasceu neste gigante abençoado por Deus. Sim, abençoado por Deus e bonito por natureza!

Pago impostos como toda a gente, mas pago sem lamentação, pelo contrário, pago com satisfação porque contribuo para esta grande nação que tanto amo.

Sempre fui contra a injustiça social, a ignorância, a ganância de uma minoria que quer sempre mais à custa da maioria. Tenho um horror figadal à discriminação tenha ela o caráter que tiver.

Sempre me posicionei favorável ao direito à saúde, à educação, ao trabalho, à habitação, à alimentação, à segurança e ao transporte para todos, sem excepção.

A casa grande e a senzala fazem-me fernicoques na pituitária, que é o mesmo que dizer, revolve-me o estômago.

Ainda jovem, a minha família e amigos diziam que com esta minha forma de olhar o mundo, eu era de esquerda. Não gosto de qualificações. Porém, a vida mostrou-me que aqueles que se posicionavam perante o mundo, como eu, eram de esquerda, então também passei a considerar-me de esquerda. 

Nunca me inscrevi em partido político algum. Nada contra, apenas não gosto de seguir cartilhas ou mandamentos.

Lembro-me que pelos idos anos 90 do século passado, Portugal começou a receber um enorme contingente de imigrantes brasileiros. Vinham em busca de trabalho e lembro-me que poupavam tudo o que podiam para ser enviado a seus familiares no Brasil. 

Era uma imigração jovem, pouco letrada e sofrida que tinha imenso frio nos Invernos portugueses e morria de saudades da sua gente. 

Portugal estava em franca modernização e estes jovens brasileiros, assim como, africanos e ucranianos ajudaram o meu país nessa empreitada. Alguns, poucos, conseguiram montar seus negócios e, até, serem bem sucedidos.

O Brasil era olhado pelos portugueses e restantes europeus como um país muito grande, rico, mas com uma população muito pobre, ignorante e explorada. Aliás, a América do Sul era vista, com desprezo, como um subcontinente. Nós, europeus, com aquele traço típico de ex-colonizador e de velho mundo de onde “tudo” emergiu olhávamos do alto da nossa arrogância para esse bando de imigrantes que aportava à Europa.

Caramba, como eles sofreram discriminação e solidão! Contudo, eles diziam sempre que era preferível isso que morrer de fome no seu país. E, assim, esses jovens, se sacrificavam indo para um continente longínquo, sozinhos, sem qualquer apoio, apenas para que eles e suas famílias não passassem tanta privação.

Eu, sempre me perguntava como um país tão rico podia ter uma população tão pobre? 

Ó santa ingenuidade de uma jovem habituada ao conforto, à educação, ao amor e apoio de sua família e, que, jamais tinha sentido na pele o horror da fome, da privação, da solidão, da sensação de ser constantemente aniquilada, esquecida, vilipendiada e explorada. 

Santa ingenuidade de uma jovem que ainda não tinha percebido como o mundo é cruel e capaz dos maiores horrores, apenas para sustentar um grupo restrito de pessoas, em detrimento da maioria da população do mundo. 

Santa ingenuidade de uma jovem que via atónita o crescente comércio de armas, o fomento do ódio, de guerras, o tráfico de pessoas, o tráfico de drogas, a indústria farmacêutica multi bilionária, o desmatamento de florestas, a manipulação de massas, a queda de regimes para se colocarem outros – geralmente ditaduras - as crises financeiras fabricadas, etc., com as terríveis consequências que diariamente observamos: seca, fome, perseguição, tortura e morte de milhões de seres humanos. Verdadeiros atentados ao mais básico dos direitos humanos. E tudo, apenas, para atender aos interesses desse grupo restrito. 

A partir da metade do início deste século, comecei a perceber que muitos desses brasileiros estavam a retornar ao seu país. Tentei saber o motivo e todos, sem excepção, me diziam que seu país estava melhor e que havia mais trabalho e que assim já tinham condições para voltar.

Descobri que o Brasil estava a ser governado por um homem nascido no nordeste de uma família muito pobre e que em criança foi com sua mãe e seus irmãos num pau de arara para São Paulo, destino de muitos nordestinos em busca de trabalho e para fugir à fome e à seca do agreste Nordeste.

Esse homem, pouco letrado, metalúrgico, mais tarde sindicalista, conseguiu tornar-se Presidente da grande nação brasileira e estava a transformar o seu país. Claro que a contra gosto de uma elite que se envergonhava desse líder pouco alfabetizado e vindo da classe mais pobre.

Porém, com esse homem, o Brasil havia começado uma transformação que jamais havia acontecido no país. 

A Europa e os EUA demoraram a olhar o Brasil e “o cara” com respeito, mas acabaram por se render. 

De fato, a partir de certa altura, 2009, com a crise económica instalada na Europa, o processo inverteu-se. Quem começou a emigrar para o Brasil, EUA, Canadá e Austrália, foram os europeus. Uma emigração também jovem, mas letrada, graduada, pós-graduada, mestrada e doutorada em excelentes universidades e que não encontrava espaço numa Europa em crise para atingir os seus objetivos profissionais.

E o gigante abriu-lhes as portas e agradeceu esse contingente de técnicos altamente profissionalizados que estão por esse Brasil afora ajudando no seu crescimento e modernização.

Este Brasil que consolidou, com Dilma Rousseff, as políticas do carismático líder Lula da Silva. Este Brasil que saiu do mapa da fome e que tirou milhões de pessoas da miséria e conseguiu que outros tantos milhões subissem à classe média. Este Brasil que tem foco na educação, na saúde e na distribuição de renda. Este Brasil que construiu Universidades Públicas e Escolas Técnicas gratuitas. Este Brasil que tem, votando, mais universitários que analfabetos. Este Brasil atualmente respeitadíssimo que olha o mundo não mais de baixo para cima e, sim, de igual para igual! Este Brasil cujas políticas sociais servem de exemplo a países como a Suiça. Este Brasil que não mais quer ser colonizado por países imperialistas e que quer ser senhor e construtor do seu próprio destino. Este Brasil de que me orgulho tanto como se tivesse aqui nascido e vivido toda a minha vida.

Eis, porque, apesar de ainda não poder votar e não ser petista porque não inscrita no PT, eu estou com Dilma Rousseff e desejo ardentemente a sua reeleição.

segunda-feira, setembro 08, 2014

Dar peixes ao povo em vez de ensiná-lo a pescar?


A frase “dar peixes ao povo em vez de ensiná-lo a pescar” que não corresponde exatamente ao provérbio chinês: “Antes de dar comida a um mendigo, dá-lhe uma vara e ensina-lhe a pescar”, tornou-se muito popular entre aqueles que se opõem aos governos PT de Lula e Dilma.
A bolsa família, por exemplo, transformou-se em bolsa bandido, como se o valor da bolsa família revertesse tendências a ganhos ilegais por parte dos criminosos.
Imagino que para esses filósofos de meia tigela, a ação de devorar um peixe leve o mesmo período de tempo daquela que ensina a pescar. 
Quando em 12 anos de governos petistas se criaram 18 faculdades federais, 370 escolas técnicas, bolsas de estudo, quotas para negros e indígenas e bolsa família para facilitar o acesso à educação profissional da população mais carenciada, sem o estômago vazio porque o dinheiro deu para o arroz e para o feijão e, ainda, ter médico no posto para atendimento quando adoece, é só dar peixes ou é ensiná-los a pescar?
Se um jovem oriundo de uma família pobre, através de todos os programas criados pelos governos petistas, faz uma faculdade ou um curso técnico e, por via da sua formação profissional, consegue um trabalho digno e remunerado, vamos dizer que lhe foi dado um peixe ou lhe foi ensinada a arte de pescar?
O interessante é que, geralmente, quem utiliza essa expressão é uma determinada classe que defende, por um lado, o neoliberalismo desenfreado em detrimento de políticas sociais, mas por outro lado, gosta de festinhas onde senhoras e cavalheiros bem vestidos, exibem a sua “caridadezinha” hipócrita!
Ora, são exatamente estes “caridosos” que acusam os governos de Lula e Dilma daquilo que eles praticam: dão peixinhos aos pobres e isso basta-lhes para se sentirem de consciência tranquila e dormirem o sono dos justos até aos próximos lucros exorbitantes derivados de aplicações financeiras ou jogadas económicas, à custa do empobrecimento da classe trabalhadora que os sustenta e, ainda, do sacrifício dos mais pobres que não conseguem sequer ver uma luz ao fundo do túnel.
E há, também, infelizmente em crescendo, aqueles que não pertencendo a essa tal classe social de “caridosos” defendem o mesmo que estes. Mas esses, coitados, são os sem noção de plantão que papagueiam o que ouvem em TV’s Globos e outras mídias que tais. 
Ensinar o povo a pescar? Era o que faltava! Isso dá muita despesa e leva tempo. O melhor é continuar dando umas esmolas (peixinhos) que em corpo de pobre qualquer agasalho serve!

domingo, agosto 31, 2014

O GIGANTE ACORDOU??? (II)


Sempre tive boa memória, graças aos meus genes! 
E, se bem me lembro, uma determinada mídia, que faz o gênero familiar mafioso, no ano passado enchia os noticiários televisivos em horário nobre, com críticas às manifestações de junho de 2013, chamando os manifestantes de baderneiros, bandidos, e outros qualificativos igualmente simpáticos!
Porém, percebendo que a candidatura de Marina Silva agrada aos mercados financeiros que também protegem os seus interesses, essa mídia familiar mafiosa passou a apoiar Marina que, por sua vez, se apresenta como arauta da nova política e daquilo que os bandidos, ops, os manifestantes ansiavam nas suas badernas, desculpem, manifestações!
Em menos de duas semanas, as badernas e bandidagens viraram anseios legítimos do povo brasileiro!
Será que só eu vejo estas contradições, aliás, a candidatura de Marina é a mais contraditória de todas, ou então os brasileiros têm uma tremenda falta de memória – deve ser do pãozinho de queijo que comem – para continuarem a acreditar no que essas mídias velhas e capangas veiculam.
Eu, que apesar de residir no Brasil, infelizmente ainda não posso votar, limito-me a ver passar esta banda de músicos desafinados tocando músicas do tipo caga cão que no meu país significa vira o disco e toca o mesmo!
O gigante acordou? Não, o gigante continua adormecido e a ver a banda passar! 

terça-feira, julho 15, 2014

Alemanha - A nova heroína dos brasileiros



Os alemães são sempre muito simpáticos quando visitam outros países. Não é nenhuma novidade. Talvez seja para os brasileiros, mas para nós portugueses não é, pois a grande maioria dos nossos turistas são alemães e ingleses. Conhecemos muito bem a sua simpatia e savoir faire. 

Individualmente nada tenho contra alemães, pelo contrário, repito que são imensamente simpáticos, gentis, educados e respeitadores.
Porém, dificilmente um português ou um cidadão de qualquer país da Europa do Sul torcerá por eles. Isto, porque, como nação, os alemães continuam a considerar-se uma raça superior. 
Em apenas um século foram responsáveis por duas guerras com consequências brutalmente trágicas para o mundo.
Na sequência da segunda guerra mundial, a Alemanha foi dividida propositadamente para ser enfraquecida e desistir das suas ideias expansionistas.
No entanto, os restantes países da Europa cometeram um tremendo erro, de que atualmente já se arrependem, ao permitirem a reunificação da Alemanha. 
De facto, com a reunificação, a Alemanha tornou-se novamente muito poderosa e na impossibilidade de fazer uma nova guerra, com o eterno intuito de dominar a Europa, os alemães dominam-na fazendo uma guerra económica terrível. Primeiro criando uma crise e depois obrigando os países periféricos europeus a pagarem uma crise criada por eles e com consequências desastrosas para os povos desses países. 
Sempre foram e são extremamente racistas e xenófobos. Aliás, os resultados das últimas eleições europeias mostram bem essa faceta deste povo tão "simpático" e "solidário"! 
Como foram a seleção e torcida mais simpática e solidária do mundial, vejo muitos brasileiros impressionados, para não dizer babando ovo pelos alemães – o que não admira já que há uma certa tendência dos brasileiros darem valor ao que vem de fora – mas não se enganem, na frente os alemães sorriem-nos para de seguida nos sacanearem pelas costas de forma bem dolorosa!
Da Alemanha espero tudo, menos solidariedade e tratamento igualitário. E garanto que não faço qualquer pré-julgamento. O que digo é, infelizmente, muito real porque vivido! 

Por isso, na final desta copa não torci por eles, nem nunca irei torcer. Apenas torci pelos brasileiros para que não vissem a sua arquirrival Argentina ganhar a Copa no seu país e no seu estádio de eleição!

domingo, julho 06, 2014

NEYMAR FORA DA COPA DO MUNDO DE 2014

Tenho imensa pena do que se passou com Neymar. Aos 22 anos é, sem dúvida, o melhor jogador da seleção brasileira, a jogar a sua primeira Copa do Mundo em casa e, de repente, ve-se fora da copa depois de ajudar o seu país a chegar a uma meia final. É extremamente doloroso, talvez mais do que as dores físicas que lhe causam a vértebra fraturada no jogo contra a Colombia.

Percebo muito bem a comoção e revolta da torcida brasileira por ver o seu principal jogador fora da copa exatamente quando a seleção vai defrontar a difícil seleção alemã na meia final.
Porém, tenho dificuldade em entender a fúria que se instalou contra o jogador colombiano Zuniga! Chamam-lhe todos os nomes, garantem e juram que ele é um mau caráter porque fez de propósito, clamam justiça exigindo a sua erradicação do futebol! 
Julgo que isso acontece porque o jogador atingido foi Neymar. Tenho a certeza que se fosse Messi ou Cristiano Ronaldo os argentinos e portugueses teriam exatamente a mesma reação! No entanto, talvez não se tivesse instalado tanta raiva se o jogador atingido fosse qualquer outro!
É verdade que a falta de Zuniga é duríssima e merecedora de punição dentro das regras do futebol, mas também é verdade que o jogador já pediu desculpas publicamente a Neymar e garantiu que não teve qualquer intenção de machucá-lo. Porém, até estas declarações do colombiano estão a ser criticadas. É preso por ter cão e preso por não ter, que é o mesmo que dizer, pede desculpas é cínico, não pede cínico é!
O argumento usado é o de que Suárez levou dura punição da Fifa por uma mordidela, portanto ao mandar Neymar para o estaleiro, Zuniga merece erradicação do futebol. Ou seja, na opinião das pessoas apenas conta o ato em si, não a intencionalidade com que se faz o ato. 
Ainda bem que os tribunais populares são cada vez mais raros, senão seria pior a emenda que o soneto! 
Suárez claramente teve intenção de morder o jogador italiano, já o mesmo não posso com tanta certeza afirmar relativamente à falta de Zuniga! As imagens devem ser muito bem analisadas pela Fifa para que esta decida com imparcialidade se há uma falta grave ou agressão da parte do colombiano.
No vídeo abaixo, não consigo ver claramente intencionalidade do jogador da Colombia, ou seja, o que seria considerado uma agressão. Vejo Neymar correndo para a bola, seguido também em corrida por Zuniga. De repente, Neymar pára para receber a bola e o colombiano vai para cima dele e atinge-o com o joelho. Porém, há um detalhe que é visível e que tenho a certeza a Fifa vai ter em conta, Zuniga nem por um momento tira os olhas da bola, pelo que, pode não ter visto Neymar parar para receber a bola! E o joelho do jogador está levantado porque ele está em movimento de corrida.
Cobra-se demasiado de quem não deve ser tão cobrado assim! 
É do conhecimento geral que a Fifa deu indicação aos juízes para pouparem nos cartões. E o juíz assim fez! Aliás, a seleção brasileira é, até ao momento, a mais faltosa deste mundial com um total de 96 infrações em cinco jogos! Só 31 dessas infrações foram cometidas pelo Brasil no jogo de anteontem contra 23 da Colombia! E, apesar de torcer de coração pelo Brasil, tenho de ter a lealdade de dizer que também vi faltas muito duras da parte dos jogadores brasileiros! 
Tento imaginar se numa dessas faltas o James, o Cuadrado ou o Jackson tivessem quebrado alguma coisa, se a torcida brasileira gostaria de ver Fernandinho (um dos jogadores mais faltosos) ser trucidado pela torcida colombiana.
Quem deve ser cobrada em primeira mão é a Fifa que deu indicação às equipas de arbitragem para economizarem nos cartões! 
Cabe agora à Fifa inverter essa indicação, analisar as imagens e verificar também com imparcialidade e equidade se houve ou não intenção de Zuniga provocar dano em Neymar e puni-lo na mesma medida, mas não erradicá-lo do futebol que é algo que me parece de um exagero enorme consequência de puro destempero!
E siga o jogo que a Alemanha não é uma seleção de se meter no bolso!

https://www.youtube.com/watch?v=DZLhemUwoXE

quarta-feira, junho 19, 2013



O GIGANTE ACORDOU???

Há no Brasil uma clara concertação política no sentido de desestabilizar o governo federal. Surge um movimento popular espontâneo, LEGÍTIMO de protesto contra o aumento dos transportes, a corrupção, a constante falência da saúde, educação e segurança públicas e faz-se um aproveitamento político desse movimento popular através de manipulação, não para atender à insatisfação popular e, sim, para desestabilizar e, se possível, derrubar o governo federal. E a verdade é que já há um movimento na internet pelo impeechment de Dilma Rousseff. Novidade? Não! Era o pretendido!
Digo e repito: sou absolutamente a favor dos movimentos populares de protesto contra situações que colocam em causa o bem estar da maioria popular porque os considero legítimos, mas não vejo com bons olhos o aproveitamento político desses movimentos.
O governo federal financia os estados para que estes promovam a saúde, a educação, os acessos e a segurança públicas, mas são os governos estaduais e as prefeituras que gerem esse dinheiro! Então, antes de mais há que pedir responsabilidades aos governadores dos estados e prefeituras. Mas como o povo confunde legislativo com executivo é fácil manipulá-lo no sentido de atingir o governo federal.

Por outro lado, há extremistas e, ainda, quem pague a bandidos para se infiltrarem nas manifestações com a intenção de provocar destruição e caos para, assim, a polícia ter o mote para avançar violentamente sobre os manifestantes transformados em “terroristas”. E quem verdadeiramente faz o aproveitamento político de toda a situação, fica calmamente deitado em berço esplêndido aguardando o resultado do trabalho daqueles filhos que não fogem à luta! 

A democracia brasileira é muito frágil e recente num continente onde as ditaduras, de esquerda ou de direita, foram e ainda são sobejamente conhecidas. O próprio Brasil saiu há alguns anos de uma terrível ditadura militar.  São também conhecidos os rastilhos dessas ditaduras. O povo manifesta-se legitimamente e aproveitam-se estas manifestações infiltrando gente que provoca o caos, a destruição das cidades e o combate com as polícias para que se justifique a intervenção militar. E, é aí que está o perigo! Geralmente quando há uma intervenção militar, estabelece-se a ditadura!

Por isso, não sei se de fato o gigante acordou! Há muito ôba ôba e pouco alerta por parte do povo que não parece perceber o perigo em crescendo do retorno à ditadura! 

Não posso terminar este post sem acrescentar uma verdade inquestionável sob pena de lesa majestade. Em 11 anos de governação PT os brasileiros vivem muito melhor do que alguma vez sonharam viver e, é preciso não esquecer que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” como dizemos em Portugal. São séculos de atraso que têm de ser recuperados e este, é um trabalho que não é para meia dúzia de anos, apesar da extraordinária recuperação do Brasil nestes últimos anos. Por isso, não acredito que o povo brasileiro queira perder todas estas conquistas, mas que o perigo de as perder existe, disso não tenho a menor dúvida!

segunda-feira, setembro 03, 2012

CR7 e Messi (a novela favorita da mídia)



Sempre ouvi dizer que mais vale cair em graça do que ser engraçado! CR7 que o diga! 
O rapaz deve ser o jogador de futebol mais detestado pela mídia. No chute, na marcação de livres, nos cruzamentos para um colega mais bem colocado para fazer o golo, no cabeceamento ou no drible, CR7 é um jogador completíssimo e, portanto, demasiado preponderante para ser facilmente dispensado como, aliás, ficou provado quando deixou o Manchester United que, aqui entre nós, ainda hoje sente imenso a sua falta!Porém, a mídia odeia-o, principalmente a mídia brasileira e a espanhola (quanto a esta última, é mais a mídia para os lados de Barcelona, claro).
A crueldade por parte da mídia e do povão para com CR7, não tem limites!
Se CR7 joga bem – e a verdade é que na grande maioria das vezes joga – a mídia não o elogia e dá a notícia sem destacar o trabalho do jogador. Porém, se faz algo errado, a mídia arrasa-o em paragonas!
Messi, o menino querido e venerado pela mídia, mesmo quando não faz nada que seja digno de nota, tem direito a notícias de destaque, nem que seja para servir de contraponto a um arraso que CR7 esteja a sofrer da parte de um qualquer jornalista ávido por largar verborreia contra o jogador português!
O povão, que não passa de turba facilmente manipulada por uma mídia vampira, nos estádios ulula “Messi, Messi, Messi” quando CR7 joga. O rapaz tem de ter um grande estofo emocional para aguentar uma coisa dessas. Por vezes, CR7 não aguenta, o que não deixa de ser normal mas, a verdade, é que nem um dedo indicador sobre os lábios (mandando calar a turba) lhe é perdoado, pois os jornaleiros vampiros lá estão de dentes afiados para mais umas mordidelas no jogador. A pressão deve ser tremenda, principalmente para um jovem com 27 anos! Sinceramente, às vezes custa-me perceber como ele consegue continuar a jogar com tanto talento e entrega.  
A mídia inventou uma rivalidade entre CR7 e Messi que não existe. CR7 e o próprio Messi, por várias vezes, referiram não sentirem qualquer animosidade em relação ao outro.
Aliás, a mídia inventou um CR7 e um Messi que não existem! Quis fazer uma novela, bem ao estilo da América do Sul, sobre um malandro e um mocinho em que não preciso dizer quem faz de malandro e quem faz de mocinho.
Na verdade, a mídia Inventa as histórias mais incríveis a respeito de CR7. Desde metrossexual, a mulherengo, passando por gay, CR7 é tudo e mais alguma coisa!
Se fala para a mídia é um idiota vaidoso. Se não fala, é um arrogante convencido e com falta de humildade o que, no entender da turba ululante, é a prova irrefutável de que não é bom jogador.  
O rapaz é preso por ter cão e preso por não ter!
Muitas vezes, por escassez de inteligência, as pessoas têm tendência a confundir falta de humildade, vaidade ou mesmo arrogância com falta de talento. Enfim, de ignorantes não reza a História, mas de profissionais que trabalham para a imprensa, a tv ou a rádio, esperava-se um pouco mais de discernimento.
Eu gosto imenso de futebol e gosto de ver jogar tanto CR7 como Messi. Para mim, ambos são muito talentosos, mas igualmente muito diferentes. Tal como a água e o azeite. Não se podem misturar. Fazer comparações entre um e outro, é não perceber absolutamente nada de futebol e apenas alimentar historietas de cariz novelista.
Portanto, acredito que quem odeia CR7 e, em oposição, venera Messi, não percebe rigorosamente nada de futebol, mas adora uma novela brasileira, argentina ou, quiçá, mexicana.   
Por mim, que não faço parte dessa imensa turba ululante, ignorante e analfabeta – perdoem-me a arrogância – podem continuar os dois jogadores durante uns bons anos a fazer as delícias dos meus olhos no que respeita à arte de bem jogar futebol.

quinta-feira, junho 28, 2012




(..) o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é português



Gosto de futebol. Adoro uma partida bem disputada. Ontem vi Portugal conseguir parar a “fúria” do atual campeão do mundo e possível bicampeão europeu de futebol.  
Dizem os “entendidos” que mais uma vez faltou a sorte para o lado português que perdeu a partida na lotaria dos penalties.
Sorte? Mas podemos continuar agarrados à ideia da eterna falta de sorte portuguesa? Se em vez de nos lamentarmos com a constante falta de sorte – que só nos deixa com a auto-estima no fundo do poço – não nos convencemos que Portugal não existe para ganhar campeonatos de futebol ou quaisquer outros?  
E se a missão de Portugal nada tem a ver com questões de competição criados por um sistema político, financeiro, social baseado na competição desenfreada que, contudo, se vai esboroando e que naturalmente terá um fim?  
E se a missão de Portugal é de algo sem fim e não com fim como um simples campeonato de futebol?
Dizia Fernando Pessoa na segunda parte do belíssimo “Mar Portuguez”:

“E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é portuguez.”

Teria razão? O advento de uma nova Consciência o dirá!



quarta-feira, novembro 02, 2011

O referendo grego


Já se percebeu que os gregos não são como nós portugueses! Eles mandam os "brandos costumes" para as urtigas e vão mesmo para a rua fazer mossa!
Ora, em qualquer país do mundo, as altas patentes militares estão sempre à coca, na expectativa de lhes darem boas razões para fazerem um golpe de estado de cariz militar! As razões são quase sempre relacionadas com desacatos da população em larga escala - farta de pagar pelas más políticas e a ganância de alguns - que têm como consequência o caos e, naturalmente, a ingovernabilidade.
Como se sabe, há uns dias os generais gregos em cargos de decisão foram substituídos. Isto, porque, diz-se - e como não há fumo sem fogo - já andavam a preparar um golpe de estado.
A História é profícua em nos provar que um golpe de estado de cariz militar, seja de direita ou de esquerda, é o pior que pode acontecer a um país e a um povo.
Assim, o primeiro ministro grego resolveu seguir a via do mal menor. Ao anunciar a necessidade de colocar a responsabilidade nos ombros do povo grego de decidir se quer mais austeridade por via de novas tranches de dinheiro da UE, ou não.
Com esta decisão, retira ao povo o direito de vir para a rua manifestar-se, independentemente do resultado do referendo, e retira, também, aos militares os motivos para fazerem um golpe de estado porque não há desacatos nem caos, nem ingovernabilidade!
Genial da parte de Giorgos Papandreou? Não! Apenas o desejo de ficar muito bem na fotografia - como bom descendente dos seus antepassados precursores da democracia - num momento de puro desespero onde a saída dele era mesmo só esta, não tenhamos a mais pequena dúvida!
Tivesse ele outra hipótese que não a do referendo e teria mandado a tal da democracia para as calendas!

sexta-feira, agosto 19, 2011

A maior lavandaria de dinheiro do mundo ameaça falir!



Faz um tempo que venho falando - entre outros, neste post - da desconstrução e dissolução do sistema financeiro. Não é adivinhação, apenas observação e, até, experimentação!
Hoje tive acesso ao texto que transcrevo e que vem de encontro ao que tenho defendido.


"A MAIOR LAVANDARIA DE DINHEIRO DO MUNDO AMEAÇA FALIR!
Por Gilles Lapouge

A Suíça estremece.
Zurique alarma-se.
Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes.
Poderia dizer-se que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo.
Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.
O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama.
O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira.
A UBS – União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para defraudar o fisco.
O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos.
Os suíços, então, passaram os nomes.
E a vida bancária foi retomada tranquilamente.
Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado.
Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!
O banco protestou.
A Suíça está temerosa.
O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal.
Mas como resistir?
A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.
Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido.
O segredo bancário suíço não é coisa recente.
Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714.
No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas.
Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe económica.
Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 biliões de francos suíços ou 201 milhões de dólares.
E não se trata apenas do UBS.
Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira.
O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três triliões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os activos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários.
Ziegler acrescenta ainda que se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros offshore" do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.
Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.
O manejo do dinheiro na Suíça, diz Ziegler, reveste-se de um carácter sacramental.
Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e realizam-se em silêncio e recolhimento...
Onde param as fortunas recolhidas pela Alemanha Nazi?
Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Máfia Russa?
Quantos actuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municípios têm chorudas contas na Suíça?
Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram?
Porquê após a morte de Mobutu, os seus filhos nunca conseguiram entrar na Suíça?
Tudo lá ficou para sempre e em segredo...
Agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos americanos.
Na mini cúpula europeia que se realizou em Berlim, (em preparação ao encontro do G-20 em Londres), França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais.
"Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela Merkel.
No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias.
Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adoptadas contra os paraísos fiscais.
Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade económica mundial, todas as tentativas eram abortadas.
Hoje, estamos em crise.
Viva a crise!!!
É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país.
Nos anos 30, os americanos conseguiram caçar Al Capone.
Sob que pretexto?
Fraude fiscal!!!
Para muito breve, a queda do império financeiro suíço!"

Eu vou mais longe e digo: para muito breve, a queda do império financeiro, ponto!