segunda-feira, março 26, 2007

Umas férias inesquecíveis - Parte IV


continuação

A noite agitada de Eressos que tanto ansiávamos, era, na verdade, muito calminha, para Agosto! Mesmo assim, não nos desmotivámos e lá fomos à procura de um restaurante (não recordo o nome) que tinha uma agradável esplanada, para comer a Moussaka que estava excelente.
Enquanto decorria o repasto, bem olhávamos para a fauna maioritariamente feminina que passava mas não conseguíamos vislumbrar um espécime que valesse uma segunda olhadela. Uma frustração!
Por outro lado, o nosso grupo era alvo de olhares sedutores (se é que se podem chamar assim) e, até, de alguma surpresa. Podem não acreditar, mas não é preciso ser a Angelina Jolie para, naquela terra, ser considerada uma beleza do outro mundo, tal é a falência de beautiful women por ali.
Acabámos o jantar e fomos dar um passeio por uma rua próxima da praia e que parecia ser a mais animada. No entanto, a paisagem era ... ok ... mais do mesmo! Uma decepção!
Quando chegámos ao final dessa rua, demos com um pequeno largo que era utilizado como esplanada de um ou dois cafés. Sentámo-nos e pedimos umas bebidas enquanto decidíamos para onde iríamos, pois não dava para ir pr’a night em Mitilene que ficava a hora e meia de táxi para lá e outra para cá!
Estávamos neste dilema, eis que se aproxima de nós uma mulher com um ar meio esgazeado e estranho, de cabelo pintado de vermelho, curto e muito punk que se apresentou como Maria Cyberdyke (Cyb). A mulher era estranhíssima (não sei se continua a ser) mas muito simpática e, percebia-se porque era um género de public relations da comunidade lésbica da Grécia. Conversámos durante um bocado, ela quis saber se estávamos bem instaladas e ouviu as nossas queixas sobre o local que nos tinha arranjado. Não mostrou qualquer perturbação e sorriu abertamente quando lhe dissemos que já tínhamos acomodações bem melhores e em Eressos. Durante a conversa deixou escapar alguma surpresa por saber que jogávamos todas na mesma equipa que ela, com excepção de P que como já referi andava baralhada mas a quem a Cyb tratou por babydyke.
Depois de C saber, através da Cyb, que M, a amiga grega com quem se queria encontrar, já estava em Eressos, dirigimo-nos para o local onde aquela estava a jantar com o seu grupo.
Quando chegámos a um misto de restaurante e bar, com uma parte coberta e outra ao ar livre, encontrámos, finalmente, um grupo de mulheres giras. Puxa, eu até respirei fundo! É que já começava a ficar com dúvidas relativamente à minha preferência por figos. C dirigiu-se a uma morena, muito bonita, com um rosto perfeito de feições gregas e possuidora de uns olhões lindos de pestanas enormes e espessas que até pareciam falsas. Era M!
No entanto, apesar de na altura ser casada, eu não estava ceguinha e os meus olhos pousaram numa outra morena com um tipo ligeiramente butch, dona de um sorriso espantoso e um ar muito atrevido que se exprimia num inglês elegante e perfeito. Caramba, sempre tive um fraquinho por mulheres interessantes e atrevidas! Não fosse eu ser casada na altura e teria lançado a minha rede àquela beleza andrógina, filha de mãe grega e pai inglês, ou era o contrário? Também não é importante! Senti que ela também me olhou de um modo especial mas percebeu que eu era comprometida porque T (que é uma mulher que vê mesmo aquilo que outros não vêm) marcou a sua posição abraçando-me e olhando-me amorosamente. É por estas e por outras que quando um casal está em crise o melhor é ter férias conjugais!
Estivemos em amena cavaqueira com o grupo de gregas, enquanto eu e a mulher do sorriso que mexia com a libido da mais empedernida nos íamos olhando conforme nos era permitido. Depois de um bocado, as minhas amigas e T resolveram que lhes apetecia ir à procura de um local com música e dança e eu, que estava tão entretida, lá tive que ir com elas! No entanto, antes de sairmos fomos convidadas para, na noite seguinte, nos reunirmos na praia com elas (as gregas) à volta de uma fogueira (uma coisa muito romântica). Mais uma vez lamentei não ter combinado umas férias conjugais.
Voltámos ao tal largo onde um par de horas antes tínhamos encontrado a Cyb e vimos um misto de bar e discoteca (naquela terra haviam muitos mistos) chamado A décima musa.
A música não era má, o espaço era exíguo, mas como a porta de entrada estava aberta, o pessoal podia dançar na rua ao som da música. Com excepção de uma ou outra grega, a frequência nada tinha de especial. A verdade, minha gente, é que já viajei o suficiente para poder afirmar que, de facto, as mulheres portuguesas são muito bonitas e quando não o são têm, pelo menos, um ar lavadinho!
Seriam umas três da manhã quando decidimos recolher a casa para nos entregarmos a Eros e/ou a Morfeu.
continua... e a reportagem fotográfica das Vizinhas também!

segunda-feira, março 19, 2007

Umas férias inesquecíveis - Parte III

continuação
Hoje resolvi não colocar qualquer imagem de meninas nesta terceira parte das férias em Eressos, porque no blog das vossas vizinhas estão lá fotos muito mais giras da terra, gajas e praia, pelo que, vos aconselho a dar lá um pulo.
Tal como eu, as outras quatro meninas ficaram muito felizes por se irem instalar num local a cinco minutos da praia de Eressos.
Fomos buscar a bagagem à espelunca e lá nos dirigimos à casa que nos indicaram. A proprietária, uma grega com um ar desconfiado que nos olhava como se fossemos de outro planeta, entregou-nos as chaves e desatou numa conversa em grego que nos deixou com um ar atónito a fazer que sim com a cabeça sem, no entanto, entendermos patavina do que a mulher dizia. Calculámos que fossem recomendações do tipo “Não quero orgias!” “Nada de drogas ou bebedeiras!” “Não partam nada!”, etc.
Entrámos na casa e deparou-se-nos uma escada em caracol com um molho enorme de alhos pendurados do tecto. Antes de nos dirigirmos aos quartos, acho que todas pensámos: “Aqui há vampiros!” Eu, pelo menos, pensei. Chegadas ao cimo das escadas, haviam um quarto com cama de casal que seria para mim e T e um quarto triplo para A, C e P.
Os quartos eram amplos, arejados, estavam limpos e tinham jogos completos de toalhas, o que nos deixou muito satisfeitas. Largámos as coisas e lá fomos muito frescas e soltas para a praia.
A praia de Eressos tem um estilo algo familiar. Apesar de ser o bastião, por excelência, do turismo lésbico, vão para lá casais com os filhos, os sogros e o resto da família. Portanto, não dá para nos pormos à vontade (leia-se em top less, under less ou completamente less), sob pena de sermos corridas a grande velocidade.
Assim, indagámos qual a zona da praia onde estava o mulherio e depois de nos indicarem que era lá mais para o fundo junto à rocha, pusemo-nos a andar ao longo do areal.
Ao fim de um bom bocado de caminho bem olhávamos mas só víamos ... gajos nus de rabo ao léu. Começámos a comentar entre nós: “É sempre a mesma coisa, vimos para um sítio de gajas e só vemos gajos!”
Já bastante chateadas porque não vislumbrávamos uma única mulher, resolvemos abancar num pedaço de areal que nos parecia simpático apesar de nos sentirmos as únicas mulheres da terra. De repente, eis que um dos gajos se levanta e ... não era que o gajo apesar de ter pelame por tudo quanto era sítio, tinha mamocas e nada de pilinha? Embasbacadas, verificámos que os gajos eram, afinal, gajas! Um horror! Que mulheres tão pavorosas, meus deuses! A sério que me confrontei com a hipótese de mudar a minha orientação sexual. Acho mesmo que se ficasse a viver em Eressos para o resto da vida e a ter apenas a visão daqueles exemplares do sexo feminino virava hetero!
Percebemos, então, porque razão é que éramos olhadas como se fossemos extraterrestres. Na verdade, bastava ser-se bonitinha e com um ar minimamente feminino para destoar no meio daqueles espécimens.
Ok, pensámos, como não há mulheres giras para lavarmos as vistas, toca de gozar a praia. Se bem o pensámos, melhor o fizemos. Pusemo-nos em pelota e atirámo-nos à água.
Atirámo-nos como quem diz, entrámos devagar porque aquela belíssima praia, tem pedras e, para entrarmos na água, só com sapatinhos de borracha ou, então, em bicos dos pés quais improvisadas bailarinas soltando ais e uis porque, mesmo com todo o cuidado, as pedras magoavam os nossos pézinhos somente habituados às suaves areias das praias portuguesas.
Dentro de água, riamos à gargalhada, mergulhávamos, atirávamos água umas às outras, como crianças. Aquele disparate todo deu para soltar o stress que era mais que muito.
C e P encontraram, não sei onde, uma bóia que, se a memória não me falha, tinha a forma de um pato.
Pareciam tolas a brincar com o raio da bóia. P, que em criança tinha ficado traumatizada numa piscina porque se ia afogando, agarrava-se à bóia com unhas e dentes e C, uma excelente nadadora e mergulhadora, tentava convencer P a confiar nela e a largar a bóia. Era um fartote de riso para nós.
Tudo isto se passava sob o olhar atento dos “estranhos seres” que, como tinham pipi e mamocas, eram consideradas mulheres apesar de serem mais feias que várias juntas de bois.
Claro que as cinco portuguesas eram as belezas de Eressos, o que, diga-se em abono da verdade, não era difícil.
Depois da praia, lá fomos até casa para tomarmos um belo duche, vestirmos umas roupas giras e arranjarmo-nos para irmos jantar uma Moussaka e conhecermos a night de Eressos que, não sei porquê, se nos meteu na cabeça que seria agitadíssima.
Os duches dos quartos tinham a particularidade de deitar pouca água mesmo com a torneira colocada na pressão máxima (no blog das vossas vizinhas está lá uma foto que atesta isso mesmo). Claro que fiquei furiosa, mas lá consegui tomar um duche que me soube a pouco.
Mas a agitada noite de Eressos esperava-nos e não havia imponderável que nos tirasse a boa disposição.
Pelas 21h00, saímos de casa, bonitas, perfumadas, bem vestidas, algumas maquilhadas, ou seja, vestidas e arranjadas para arrasar.
continua...

quinta-feira, março 15, 2007

Umas férias inesquecíveis – Parte II



continuação

Parti os óculos e só amanhã é que os novos estão prontos. A minha sorte, é que vejo bem ao longe, apesar de ao perto…bom, o teclado fica um bocado esquisito. Mas, adiante, porque hoje necessito muito de me distrair, espiritualmente falando!

Vou continuar com o relato das férias em Eressos, apesar de não ter o talento da minha amiga Citadina que descreveu maravilhosamente, em duas partes, este último fim-de-semana que passámos na Serra da Estrela, juntamente com os outros 4 membros da Irmandade da Rosa Negra Parte I e Parte II (é preciso dizer que apesar de serem membros, é tudo meninas).

A memória dessas férias em Eressos já se esbate, mas conto com a Citadina (que vou continuar a tratar por C) para me ajudar através dos comentários.

Para além da amiga grega com quem C ia ter e a quem vou chamar M, C conhecia uma outra mulher bastante mediática dentro do mundo lésbico grego e que se ofereceu para nos arranjar transporte do aeroporto de Mitilene até Eressos, assim como, acomodação num bom local pois, apesar de sermos fãs do vá-para-fora-de-qualquer-maneira, gostamos de ficar bem instaladas e recusamos espeluncas. Manias!

Essa grega usava (esperemos que ainda use) o nick de Maria Cyberdyke, a quem passarei a tratar por Cyb.

Ora, aterradas que já estávamos do voo, no minúsculo aeroporto de Mitilene, e carregadas com sacos e malas (íamos por uma semana mas até parecia que nos íamos mudar de vez para Eressos, a P então, levava um malão que arrastava qual bobby convencida que teria imensas oportunidades para vestir e mostrar os robes de nuit e passear as demais roupinhas de marca) ficámos à espera do transporte para Eressos.

Depois de alguma espera, lá apareceu um motorista de táxi com um letreiro que dizia qualquer coisa que, julgo, era grego e nós ficámos gregas a olhar pró homem. A C, mais expedita e experiente em terras helénicas, perguntou: “Eressos?” o homem disse que sim e lá nos metemos no táxi (sinceramente não me lembro se eram um ou dois táxis, mas também não é importante, ou é?)

Eressos fica a 90 km de Mitilene, portanto, em estrada de curva e contracurva tínhamos, no mínimo, uma hora e meia pela frente de viagem.

T, uma workaolic de primeira categoria (que trabalhou que nem louca até quase à entrada no avião, em Lisboa) deixou-se abraçar por mim e encostou a cabeça ao meu peito, entregando-se a Morfeu como se fosse noite. Eu ia morta de sono, mas não dormia nem à cacetada com receio que o grego nos levasse para algum sítio estranho. Delírios de turista desconfiada e sempre atenta!

Não, Lesbos em termos paisagísticos não é nenhuma Sardenha. É igualmente uma ilha grande mas o termo de comparação fica-se por aqui. Tem uns locais pitorescos ali, outros acolá, mas nada para deslumbrar.

Cheias de calor (a temperatura era abrasadora) enjoadas de tanta curva, cansadas e desejando um duche retemperador, lá chegámos a Eressos. No entanto, o motorista encetou uma ronda maluca de pergunta aqui e pergunta ali para saber onde ficava o hotel cujo nome lhe tínhamos dado ainda em Mitilene.

Achei estranho porque, numa terra tão pequena, o raio de um hotel não deve ser coisa difícil de encontrar.

Admiradas, começámos a ver-nos sair de Eressos. Por fim, no meio de nenhures, surgiu o que parecia ser um hotel, sendo que o nome condizia com a indicação que tínhamos.

Indicaram-nos os quartos e a verdade é que íamos morrendo. Os quartos eram um pavor, as casas de banho, outro. Aquela gentinha entregou a cada uma de nós uma toalhinha de rosto que iria servir para nos secarmos depois do duche. Eu, que adoro toalhões enormes, fiquei piursa.

Descobrimos depois que a porcaria da espelunca ficava a 2 km da praia que teríamos que fazer a penantes, ou seja, de cada vez que fossemos à praia ou a Eressos, tínhamos de andar 4 km. Um bom exercício, sem dúvida, mas tenho uma especial preferência por um outro muito mais agradável! Sim, esse mesmo que estão a pensar! Que querem? Gostos não se discutem, ou discutem? Não sei!

Bom, a mostarda começou a subir-me ao nariz e, apesar de cansada, resolvi ir para Eressos à procura de um sítio melhor e…em Eressos, já agora!

Enquanto as outras quatro meninas estavam na praia, com T a dormir (passou os primeiros dois dias a dormir por tudo quanto era canto e até de pé) eu meti cordas aos sapatos e toca de ir perguntar onde ficava o posto de turismo. Lá chegada, percebi, num relance, que quem mandava naquilo era uma mulher que se expressava em inglês e, pelo tipo físico, não era grega. Ela era feia e abrutalhada, mas era a minha salvação e, portanto, dirigi-me a ela com o meu sorriso mais sedutor, coloquei a minha voz de contralto num tom aveludado (técnicas aprendidas no curso de teatro) e a fazer por largar charme pelos poros, fui falar com ela. Bingo! A mulher derreteu-se e deixou de parte o mulherio que lhe expunha os respectivos problemas para se focalizar em mim. Contei-lhe o sucedido, não descurando um certo ar trágico, a drama, e pedi-lhe que me tirasse daquela espelunca e me arranjasse um quarto duplo ou de casal e um triplo, num sítio decente e, acima de tudo, em Eressos.

Ela disse-me que no Hotel Safo, não havia qualquer hipótese por ter a lotação esgotadíssima, mas que arranjaria uma solução para mim. Ao fim de uns 15 minutos, sou informada que havia uma casa particular com dois quartos, de acordo com o que pretendia, em pleno centro de Eressos e a 5 minutos da praia. Abri-me num sorriso e só não lhe espetei com um beijo porque, caramba, a pobrezinha era mesmo um susto, benza-a Deus!

Fui ter com as outras quatro meninas, comuniquei-lhes a boa nova, e lá fomos nós todas contentes buscar as coisas à espelunca para nos mudarmos.

Por hoje chega de distracção espiritual. Não desistam que o melhor está pra vir. Isto é como algumas séries cuja história se vai esticando, esticando...

continua, claro ...

segunda-feira, março 12, 2007

Somos cúmplices


Na passado dia 07 de Março, João Hélio Fernandes, de 6 anos, estava no banco de trás do Corsa de sua mãe, Rosa Cristina Fernandes, junto com a irmã, Aline, de 13 anos, quando a família foi abordada num sinal de trânsito por dois rapazes, na rua João Vicente, zona norte do Rio de Janeiro. Eles ameaçaram com uma arma - depois, concluiu-se que era um brinquedo. Aline deixou o carro, assim como Rosa, que tentou tirar João do cinto para ajudá-lo a sair. No entanto, os assaltantes arrancaram e o menino ficou pendurado do lado de fora, preso ao cinto.
Os bandidos rodaram cerca de sete quilómetros e chegaram a correr em ziguezague para se livrar do corpo do menino. Vários motoristas tentaram alertá-los e pediram que eles parassem o carro, mas os bandidos ignoraram os apelos.
Dez minutos depois de terem levado o Corsa, os rapazes estacionaram o carro na Rua Caiari, em Cascadura, e fugiram a pé.
A criança morreu pendurada.
Este hediondo crime comoveu todo o Brasil a ponto de se estar a debater, de novo, a pena de morte.
Sobre tudo isto, o meu amigo Lúcio Alves de Barros escreveu o texto ”Somos cúmplices” que aqui vou publicar no meu blog. Leiam-no porque vale a pena.
>SOMOS CÚMPLICES
Lúcio Alves de Barros*
Não é por acaso que a morte do pequenino João Hélio Fernandes, 6 anos, tem causado uma ostensiva comoção e indignação de boa parte da sociedade brasileira. Olhos atentos devem estar percebendo a abertura do debate sobre a redução da maioridade penal, outros se abrem ante os holofotes da “necessária” e “obrigatória” pena de morte e, não vários “doutores do direito” novamente se apegam à velha ladainha da impunidade. Ou estão me enganando, pensam que sou burro, ou apostam na sempre deficiente e inoperante memória brasileira.
O fato é que não vai demorar muito para tal acontecimento cair no esquecimento. No Brasil cultivamos a arte de esquecer as mazelas da civilização. Para isso não faltam autoridades “cultas”, argumento acadêmico, pessoas respeitáveis, os “sabem tudo da vez” e várias explicações sobre o famigerado aumento da criminalidade. Penso seriamente que sou esquizofrênico, pois não consigo entender, tampouco engolir goela abaixo tais manifestações de desprezo e desonestidade em todas as esferas da vida.
A humanidade, além de porca, fascista e suja, é hipócrita, conivente e conveniente com os acontecimentos. Vamos ser justos aos fatos: logo, logo, passando os apelos midiáticos da Globo e companhia, a história do menino João Hélio Fernandes vai cair no esquecimento. Pode virar símbolo, mito, razão de viver para algumas pessoas ou mesmo um "novo" movimento social, capitaneado por uma ONG, ávida de dinheiro, da balela da “responsabilidade social”, assessoria, cursos de pós-graduação e representação política no congresso. Esse filme já foi - à guisa de inédito – mostrado pela TV, tal como a morte da professora Gisela no Rio de Janeiro, da pequena garota queimada anos atrás em BH, da funcionária pública, cuja ossada só foi encontrada após anos de procura ou mesmo da morte da atriz global ou do promotor de justiça José Francisco Linz do Rego na capital mineira. Esses são exemplos que, no calor dos acontecimentos, vieram à minha memória e o leitor certamente deve ter outros em mente. Não é necessário estar em um banco de uma universidade ou mesmo das instâncias da estrutura da segurança pública para perceber que, de uma forma ou de outra, somos responsáveis, verdadeiros cúmplices pela morte desse e de tantos garotos e garotas que acreditam - ou sequer tiveram tempo de - nesse país. A cada dia assassinamos um pouco de nós e do outro. O caso, lamentável em todas as situações, revela com acuidade o descaso com o ser humano, a banalidade que se tornou o mal e a fúria incompreensível daqueles que acham saudável ou mesmo lucrativo viver na invisibilidade.
Ao ler ou tomar ciência dos acontecimentos não é possível não sentir e pensar que a morte de uma criança sempre aponta para a farsa de nossa civilização e da 'inexistência' de Deus. Algo está muito errado e, faz tempo que as coisas não andam certo por aqui. Casos de violência, corrupção e criminalidade não devem e não podem cair na banalidade e na crença imbecil de que “tudo é normal”. O que nos separa dos animais é a arte do diálogo, da política, do convencimento, da negociação e responsabilização dos atos. Há muito vemos e somos vítimas da várias tentativas de programas no campo da segurança pública. Pública? Talvez eu tenha sido vítima de uma ação inconsciente, um "ato falho". Não há publicidade nesse país. A elite anda se escondendo em muros, carros blindados, e, os mais “empreendedores” já optaram por helicópteros. Perdemos o espaço público e a “cultura do medo” tornou-se um monstro amigável, possível de ser manipulado de acordo com os ventos políticos e candidatos a autoridades de ocasião. É por isso que não aceito. Não devemos aceitar a morte de uma criança com ou sem brutalidade. Pelo amor de Deus (outro ato falho?): é uma criança. Esqueçamos o automóvel. Estamos passando nesse país pelo mais invisível, e daí sua crueldade, genocídio que já se viu de novas gerações. A elite assiste calada e busca no famigerado conhecimento científico e normativo as explicações. É muita insensibilidade.
Não é lugar para mostrar saídas para a calamidade da segurança pública, o despreparo da polícia, a arrogância das autoridades ou mesmo o sensacionalismo da mídia. Prefiro o fato: a criança faleceu por motivo torpe. Não há outra explicação. Ficarei comovido e agradecido se alguém me disser que a humanidade ainda tem salvação. Não vale ser padre, pastor, mãe de santo, ser médium ou possuir doutorado. Não mais acredito em autoridades que conseguem dormir, com ou sem Deus, mediante a morte de uma ou mais crianças. E nós, brasileiros, uma “turma de malandros", "sem escrúpulos", resultado de uma sociedade autoritária, bruta, suja, machista, racista, cruel e hierarquizada. Ao mesmo tempo em que assistimos à entrevista da deprimida mãe do pequenino José, nos mantemos na mesma tela do Big Brother com o chato do tal do Bial tentando convencer as pessoas que nada aconteceu e que tudo está bem. Mais que isso, que a vida é um conjunto de modelos sem caráter e sem igual fisionomia na sociedade. Logo, o errado somos nós, e não as representações alienantes produzidas em um mundo virtual. Poupe-me dos detalhes dessa vida fútil e sem lugar. Deixemos as máscaras e representações caírem e pensemos bem: “amanhã morre outra”, “antes aquela do que a minha”, “é o fim dos tempos”, “ai meu Deus, onde isso vai parar”. Coisa chata e impossível de deixar de ouvir. Somente ouvir, fique claro.
Todavia, sejamos francos. Somos fracos, incompetentes e vamos esquecer esse momento que mancha, mas não acaba com essa fingida felicidade do brasileiro. Depois do carnaval, aumentemos o muro de nossas casas, coloquemos mais grades e vamos assistir dentro do espaço privado, quiçá sentados em uma privada, homens e mulheres se matarem, seja no trânsito, em casa ou na rua. E torça para que você ou quem esteja morando muito perto não seja a próxima vítima.<
*Bacharel e licenciado em ciências Sociais pela UFJF, mestre em sociologia e doutor em ciências humanas: sociologia e política pela UFMG. Professor e organizador do livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006.
Sinto tão bem o desespero deste meu amigo. Vejo no meu país, este cantinho à beira-mar plantado, a criminalidade aumentar, os crimes serem cada vez mais horrendos e violentos e, nós, cada vez mais indiferentes, ocupados que estamos com as nossas vidinhas, mas medrosos, fechando-nos cada vez mais em casa e pensando: "antes aos outros que a mim!"
Ainda não foi há muito tempo, que era possível passear, à noite, depois de jantar, na baixa de Lisboa vendo montras. Quando passo de carro pela baixa lisboeta, não posso deixar de olhar com amargura para as suas ruas completamente orfãs de peões, apesar das apelativas montras.
No Brasil e noutros países este estado de coisas dura há demasiado tempo fazendo inúmeras vítimas. Em Portugal, caminhamos a passos largos para que o tipo e frequência da criminalidade existente nesses países, aqui se repita. Iremos ficar indiferentes tornando-nos cúmplices como eles? Não estaremos já nesse estado?
Obrigada Lúcio por me teres autorizado publicar neste meu cantinho este teu excelente e tão actual texto. Bem hajas!

quinta-feira, março 08, 2007

8 de Março


A propósito do dia da Mulher, que me deixará muito mais feliz quando deixar de ser comemorado, porque significará que as questões relativas à igualdade deixaram de ser apenas palavras muito bonitas que ficam bem em qualquer discurso político, e, dado estar sem qualquer inspiração para dissertações políticas e sociais, venho aqui chamar-vos a atenção para o imperdível texto da Blue com o título Feliz dia da mulher pá! que me fez dar umas boas gargalhadas.
Um blog também é isto, partilharmos com quem nos lê coisas boas que lemos noutros lugares.
Feliz dia, Queridas Mulheres!

quarta-feira, março 07, 2007

Umas férias inesquecíveis - Parte I


Tal como havia prometido, venho falar de umas férias sui generis que passei em Agosto de 1999 em Skala Eressos, a pequena cidade da ilha grega de Lesbos, onde nasceu a poetisa Safo.
A minha amiga Citadina (que vou passar a tratar por C) num jantar de convívio entre amigas num restaurante de comida brasileira, disse que desejava ir em Agosto a Eressos porque tinha combinado encontrar-se por lá com uma amiga grega e o grupo dela. Não precisou fazer grande esforço para aceitarmos, todas felizes, ir com ela.
A C foi, assim, acompanhada por mim, por T que na altura era a minha mulher (não era namorada, era mesmo mulher, pois vivíamos juntas há anos e só nos faltava o sim na igreja acompanhado de missinha, cantoria, comunhão e muitos ámens) mais A que estava sem namorada (pelo menos oficial) e P que não sabia muito bem o que queria e andava meio baralhada relativamente à sua sexualidade, talvez devido à sua juventude pois tinha apenas 22 aninhos.
Como não há nada de extraordinário a assinalar no que ao meu aspecto físico diz respeito, vou passar de imediato à descrição física das outras quatro mulheres.
C, é uma jovem mulher lindíssima, com tudo no devido sítio, inteligente, culta e divertidíssima.
T, sem qualquer receio de exagerar, é de cair pró lado. Uma morena com uma beleza exótica, muito sedutora, feminina, com um corpo perfeito, enfim, não lhe faltando nenhum predicado, benza-a Deus. Atenção que não digo isto porque foi minha mulher, pois comigo não funciona aquele ditado do “quem feio ama bonito lhe parece”.
A, sem ser uma mulher propriamente bonita, é muito interessante e também com tudo no seu devido lugar.
Finalmente P, a bebé do grupo, é aquilo que se chama uma beleza fora de comum. O raio da miúda (que agora tem 30 anos) é tão bonita, mas tão bonita que é impossível alguém não ficar a olhar para aquela beleza clássica e perfeita em completo encantamento. Uma autêntica Vivien Leigh (a Scarlett O’Hara de “E tudo o vento levou”).
Irão perceber, mais tarde, porque me detive na descrição do aspecto físico das minhas amigas.
Portanto, eram estas cinco amigas com idades compreendidas, na altura, entre os 22 e os 42 anos que se juntaram no Aeroporto da Portela com destino a Milão e depois Atenas para uma semana de férias na ilha grega de Lesbos.
............

Já deitávamos aviões e aeroportos pelos cabelos, quando aterrámos em Atenas, uma cidade feia com um tráfego impressionante e um escudo protector cinzento que não nos permite ver a cor do céu, o que a transforma numa das cidades mais poluídas do mundo.
Depois do check-in no hotel, fomos avisadas que o avião para Lesbos sairia no dia seguinte cedo e, portanto, tínhamos de acordar às 05h00 da manhã; uma notícia que, como se calcula, põe qualquer mortal muito bem disposto.
Lá fomos para os dois quartos. Um duplo para o casal constituido por mim e por T e um triplo para a A, C e P.
Como eu e T estávamos a passar uma crise conjugal, depois de largarmos as bagagens no quarto, enfiámo-nos no quarto triplo onde a diversão era garantida.
P, sacou de uma pedra (enorme) de haxixe e toca de desatarmos todas fumar. T, fartou-se de dar passas, desculpando-se que aquilo não lhe fazia nenhum efeito (pois não, não me deixou pregar olho a noite toda obrigando-me, em consequência, a andar no dia seguinte a arrastar-me literalmente com umas olheiras até à boca e um aspecto de boémia que só visto).
Pelas 06h00 da manhã lá nos arrastámos, as cinco, até à sala de refeições do hotel para tomarmos um pequeno almoço, servido por empregados igualmente mais mortos que vivos.
Chegadas, de novo, ao aeroporto, vimo-nos no meio de um autêntico pandemónio pois era uma loucura de gente a querer ir para as várias ilhas gregas. A nossa sorte foi que a maioria ia para as ilhas mais turísticas, como Mykonos e não para Lesbos.
Dentro do avião e já com este de rodas no ar a caminho de Lesbos, P lembra-se que se tinha esquecido do “pedragulho” de haxixe no quarto do hotel, em Atenas. Ficámos tristíssimas porque o produto era bom e serviria para uma boa parte das férias e, só não lhe fizemos (à pedra) o enterro com direito a carpidura, porque nos lembrámos que talvez o hospede seguinte a encontrasse e usufruísse do prazer que ela lhe proporcionaria.
A voz roufenha da hospedeira informa-nos num inglês macarrónico que estamos a chegar ao aeroporto de Mitilene, a principal cidade de Lesbos e que devemos manter-nos sentadas com os nossos seatbelts fasten.
Pela janela vejo Lesbos, a terceira maior ilha grega (a maior é Creta e a segunda maior é Rhodes).
Olhando Lesbos lá do alto, não consegui deixar de sentir um tremor de emoção e prazer, acompanhados por um sorriso, por estar prestes a aterrar na ilha da grande Safo, essa extraordinária e misteriosa mulher e poetisa, pioneira na expressão literária do desejo homossexual feminino, cuja obra, foi destruída quase na sua totalidade apenas restando alguns excertos, pelos homens que, desde há demasiado tempo, têm comandado este mundo.

(continua)

domingo, março 04, 2007

O ano chinês do Porco e a mudança




O Ano do Cão já lá vai e os chineses deram, no passado dia 18 de Fevereiro, as boas-vindas ao ano 4705 do Porco ou Javali.
A história do Zodíaco Chinês é antiga. Conta-se que antes de Buda partir da Terra para o Nirvana, chamou todos os animais para uma despedida. Apenas 12 compareceram. Como homenagem, ele resolveu nomear cada ano com o nome de cada um deles, por ordem de chegada. A ordem foi a seguinte: Rato, Boi ou Búfalo, Tigre, Coelho, Dragão, Cobra ou Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco ou Javali.
Esta é a história mais contada sobre a origem do horóscopo chinês, que ao contrário do horóscopo ocidental, não leva em consideração o dia, o mês e a hora, mas sim, o ano do nascimento. Porém, este ano ainda é considerado mais importante, devido à combinação do signo do porco com o elemento regente fogo, considerado um dos mais poderosos.
Os chineses calculam os dias do ano a partir das fases da Lua e também das rotações do Sol ao redor da Terra. Por isso, o Ano Novo chinês não tem uma data fixa de comemoração.
Um aspecto a ser destacado neste ano do Porco é o favorecimento dos valores ligados à família e ao lar pois o novo ano lunar chinês tem como pilares a família e a comida.
Com o Porco chega a prosperidade, a expansão, o prazer, o movimento e a generosidade. Será um período de mudanças no poder que favorecerá os mais necessitados. Pessoas que ocuparam o poder durante algum tempo irão ceder a vez a outros. O Porco trás alterações aos paradigmas políticos e sociais.
O novo ano deve ultrapassar as expectativas já que segundo o zodíaco chinês este é um ano auspicioso, o do "Porco Dourado" que só acontece em cada 60 anos.
Ora, no meio desta conversa toda, a parte mais interessante é a que refere "O Porco trás alterações aos paradigmas políticos e sociais."
Nem de propósito, a noite dos óscares do passado dia 26 de Fevereiro auspiciou o que poderá ser este ano do Porco Dourado relativamente aos tais paradigmas políticos e sociais no país mais poderoso do mundo.
Ellen DeGeneres, a actriz que em 1997 assumiu publicamente a sua homossexualidade, foi convidada para apresentar a noite dos óscares e aproveitou para chamar a atenção, perante um bilião de alminhas, para os preconceitos existentes na sociedade actual com base em orientação sexual diversa da heterossexualidade, no racismo e xenofobia. Chamou também a atenção para as questões do ambiente, numa apresentação que primou pela graça sem cair no mau gosto, pela descrição e sobriedade.
A cantora e compositora Melissa Ethridge, igualmente lésbica, ganhou o óscar da melhor canção original com o título "I need to wake up" ínsita no documentário "Uma verdade inconveniente". Quando ouviu que tinha sido premiada, Melissa beijou a mulher, a actriz Tammy Lynn Michaels, na boca antes de subir ao palco e dedicou-lhe o prémio e aos quatro filhos de ambas.
O óscar de melhor actor principal foi para o actor negro Forest Witaker pela sua interpretação no filme "O Último Rei da Escócia".
Por último, o óscar para melhor documentário foi para "Uma verdade inconveniente" que nos mostra a visão apaixonada e inspiradora da cruzada de um homem para parar o progresso mortal do aquecimento global, esclarecendo todas as ideias erradas que se encontram associadas a este problema. Este homem, é o antigo vice-presidente dos EUA, Al Gore.
Num país como os EUA que é o maior poluidor do mundo e que hipocritamente nunca aceitou ratificar o Protocolo de Quioto, tudo isto é um bom sinal, mesmo para os mais cépticos.
Portanto, pegando num texto da Citadina, The Times They Are (Really) A Changin.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Publicidade


Nesta imagem estão Gisele Bündchen e Rhea Durham protagonizando, entre si, uma cena sensual, quase selvagem e que pretende publicitar algo da casa Dior. Digo algo porque apenas sei que a grife é Dior, mas não consigo perceber o que está a ser publicitado. Acessórios, malas, roupas, perfumes? Eu inclino-me para um perfume, mas isso é porque Gisele Bündchen quase parece querer devorar Rhea Durham e, como é sabido, um bom perfume feminino pode causar apetites vorazes…

A publicidade está a mudar ou isto foi só uma provocaçãozinha sem continuidade? I wonder…

domingo, fevereiro 25, 2007

Safo - A décima musa


Safo nasceu em Eressos pequena cidade da ilha de Lesbos, uma ilha grega do mar Egeu, por volta de 612 a. C. tendo, ainda menina, mudado para a principal cidade da mesma ilha, Mitilene. De família nobre, casou-se muito jovem com um homem rico e teve uma filha chamada Cleis.

Aos 19 anos, Safo já fazia parte da vida pública (na política e na poesia). Safo conspirou contra o tirano Pítaco que, temendo-lhe a escrita, a desterrou para a Sicília.

Quando falamos em lesbianismo, estamos de certa forma a referirmo-nos a Safo, que também foi a pioneira na expressão do desejo homossexual feminino.

MULHER 1 – Dizem que amas as mulheres...
MULHER 2 – Dizem que te queres igualar aos homens...
SAFO – Que digam o que queiram, amigas. Não é a língua deles, os invejosos, que me importa?
MULHER 1 – Também dizem que tu, querida Safo, queres mudar a democracia grega.

SAFO – Uma democracia sem mulheres, que valor tem? O que acontece é que lá em Atenas, os homens, acreditam que são superiores. Mas não será assim nesta ilha abençoada por Afrodite.

Quando voltou do exílio, Safo criou uma escola para jovens mulheres, onde leccionava poesia, dança e música. Foi considerada a primeira "escola de aperfeiçoamento" da História.

SAFO – Uma Academia para mulheres!
MULHER 2 – E o que aprenderemos nessa Academia, querida Safo?
SAFO – Tudo o que aprendem os homens nas suas. Estudaremos poesia, música e dança, mas também ginástica. Cultivar-nos-emos em filosofia e também em política.
MULHER 1 – Mulheres fazendo política?
SAFO – Tudo o que os homens fazem, também nós podemos fazer.

Na antiga Atenas, somente as cortesãs podiam ter vida social e intelectual. As esposas ficavam em casa, presas às tarefas domésticas.

HOMEM 1 – Estão já inteirados, ilustríssimos cidadãos de Atenas?... Temos concorrência!
HOMEM 2 – De que falas, Anacreonte?
HOMEM 1 – Na vizinha ilha de Lesbos, levantou-se uma poetisa chamada Safo. Ensina às mulheres. Diz-lhes que não obedeçam, que não se ponham debaixo de nós.
HOMEM 2 – Será que a essa tal Safo não lhe agrada o que nós, homens, temos?...

Na Academia, as discípulas eram chamadas de hetairai (amigas) e não de alunas...E a mestra apaixonava-se pelas suas amigas. Dentre, elas, aquela que viria a tornar-se a sua maior amante, Atis, a favorita.

SAFO – Enamorei-me, Atis, de ti, faz muito tempo e parecias-me sem graça, como uma pequena menina. Como o vento desenfreado que nas montanhas cai sobre os bosques, o amor faz estremecer o meu ser. Não pude dizer: há em mim duas almas.
Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo subtil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frémito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

SAFO – Que amo as mulheres? Claro que as amo. E por que não? Também amo os homens ternos. E sobre todos os amores, amo a ela, minha doce Afrodite.

Mas Atis apaixona-se por um moço e, com ciúmes, Safo dedica-lhe os versos:
Semelhante aos deuses parece-me que há de ser o feliz
mancebo que, sentado à tua frente, ou ao teu lado,
te contemple e, em silêncio, te ouça a argêntea voz
e o riso abafado do amor. Oh, isso - isso só - é bastante
para ferir-me o perturbado coração, fazendo-o tremer
dentro do meu peito.
Pois basta que, por um instante, eu te veja
para que, como por magia, minha voz emudeça;
sim, basta isso, para que minha língua se paralise,
e eu sinta sob a carne impalpável fogo
a incendiar-me as entranhas.
Meus olhos ficam cegos e um fragor de ondas
soa-me aos ouvidos;
o suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor (...)

A aluna foi retirada da Escola por seus pais, e Safo escreveu que "seria bem melhor para mim se tivesse morrido".

Os seus poemas, porém, não ficaram imortalizados apenas pelo lesbianismo. São considerados momentos culminantes da lírica grega, e o jurista Sólon dizia que “queria aprender um poema de Safo e depois morrer”.

Muito se escreveu e criou sobre Safo, inclusive sobre a sua morte. A lenda diz que se suicidou saltando para um precipício na ilha de Leucas, apaixonada pelo marinheiro Faon. No entanto, escritos sobreviventes, dão-na como tendo atingindo a velhice e terá morrido anciã, rodeada pelas suas discípulas e amigas, olhando o mar azul de Lesbos, vendo chegar, sobre a espuma, o corpo de uma mulher, o mais bonito de todos, o de Afrodite, deusa do amor e da beleza.
Dois séculos depois de sua morte, Platão celebrou-a e imortalizou-a como sendo "a décima musa".

Escreveu nove livros, mas só chegaram, até nós, partes de duas odes e cerca de 175 fragmentos de outros poemas. No ano de 1073, transcrições dos seus poemas foram destruídos em Roma e Constantinopla pela Igreja Católica, por serem considerados imorais.

Fontes:
Wikipédia
Lírica de Safo
Diálogos daqui
Informação adiccional aqui

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Quase


Adoro poesia e, perdoem-me as pessoas de outros países, mas não há poetas como os portugueses!

É da língua, concerteza, que com vocabulário tão rico e tão belo som sibilante ou ciciante, se presta a devaneios linguísticos que explicam, como ninguém, estados de alma ou outros.

Os únicos poemas que postei até agora neste blog são da minha autoria.
Hoje, apetece-me postar um dos poemas mais bonitos de Mário de Sá Carneiro, um poeta de que gosto tanto que até lhe "roubei" a inspiração ao primeiro verso do referido poema que, descaradamente, adaptei para o meu perfil. O que vocês não sabem, mas vão ficar a saber, é que só costumo fazer isto com os(as) autores(as) que muito aprecio.
Ora, digam-me lá se isto não é de uma genialidade e beleza ímpares?

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...

Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Lesboa Party III - Opinião

A minha amiga Avalone, fundadora do fórum PussyCatBlue fez anos no passado dia 17, portanto, em data que coincidia com a Lesboa Party.
Antes de continuar com mais considerandos, gostaria de dizer que participo no referido fórum com o nick Artémis, sendo moderadora do mesmo. Digo isto, porque existem alguns (poucos) textos que aqui escrevi e coloquei lá e vice-versa e não gostaria de ser acusada de plágio.

Posto isto e continuando com os considerandos, juntámo-nos no Hard Rock Café onde jantámos e festejámos o aniversário da Ava. A Citadina usava um vestido étnico comprido em tons de vermelho e mascarou-se com uma peruca e uns óculos fazendo lembrar Janis Joplin. Estava fabulosa! Eu tentei mascarar-me de butch ou, no mínimo, de marialva, mas com o meu indisfarçável ar de femme, as minhas amigas foram unânimes na opinião de que eu ia de José Castelo Branco! Kórror!!!

Bom, após o jantar, os brindes com votos de felicidades, os parabéns, o apagar das velas e os aplausos, rumámos ao Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia para participarmos da Lesboa Party.

Logo à entrada apanhei uma decepção porque a elegante Senhora que, na edição anterior, servia shots a quem entrava, foi substituída por um Senhor em andas que não tinha uma décima da graça daquela. Junto o meu grito ao da AR “Quero a Sr.ª de volta”!

Os dois bares (um à entrada e outro do lado oposto, para lá da pista que se manteve ao meio) serviam depressa e bem, apesar de que, a partir de uma certa hora, se tornou mais difícil matar a sede devido às filas que se formavam para a compra das senhas.

A música era um misto de anos 80, 90 e actuais, dançáveis e, portanto, do meu agrado e do das amigas que me acompanhavam (que por acaso são mais jovens que eu). Só a partir aí das 04h00 é que veio aquele tam, tam, tam igual, sem melodia, cansativo que só mesmo o pessoal muito jovem aprecia, o que não deixa de ser natural.

O som continua uma miséria, tanto em termos acústicos, pois em certos locais da sala a coisa fica mesmo insuportável, como da parte dos DJ’s ao falharem as passagens de umas faixas para outras.

Apesar da falta de glamour que continua escasso, salvo muito raras excepções, havia gente muito bonita de todas as idades e credos sexuais. Foi um banquete para os olhos.

Pelas 05h30 resolvemos ir embora porque o tam, tam, tam e a acústica estava a dar-nos cabo dos ouvidos.

Se a organização melhorar a acústica, contratar DJ’s menos preocupados em serem estrelas e mais preocupados em não acabarem com os ouvidos das pessoas, protagonizará uma festa perfeita.
Venha a quarta edição!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Figos


A pedido de várias pessoas e enquanto a inspiração deambula por outras paragens, deixo aqui este poema sobre “Figos” de D. H. Lawrence que a Ela um destes dias deixou num comentário, neste blog, ao texto Caminhos que se cruzam.

A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-lo em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-lo para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.
Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.
Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.
Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.
Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.
O figo, a ferradura, a flor da abóbora.
Símbolos.
Era uma flor que brotava para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura.
Foi sempre um segredo.
E assim deveria ser, a fêmea deveria manter-se para sempre
secreta.
Nunca foi evidente, expandida num galho
Como outras flores, numa revelação de pétalas;
Rosa-prateado das flores do pessegueiro, verde vidraria veneziana
das flores da nespereira e da sorveira,
Taças de vinho pouco profundas em curtos caules túmidos,
Clara promessa do paraíso:
Ao espinheiro florido! À Revelação!
A corajosa, a aventurosa rosácea.
Dobrado sobre si mesmo, indizível segredo,
A seiva leitosa que coalha o leite quando se faz a ricotta,
Seiva tão estranhamente impregnando os dedos que afugenta as
próprias cabras;
Dobrado sobre si mesmo, velado como uma mulher muçulmana,
A nudez oculta, a floração para sempre invisível,
Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;
Figo, fruta do mistério feminino, escondida e intima,
Fruta do Mediterrâneo com tua nudez coberta,
Onde tudo se passa no invisível, floração e fecundação, e maturação
Na intimidade mais profunda, que nenhuns olhos conseguem
devassar
Antes que tudo acabe, e demasiado madura te abras entregando
a alma.
Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim.
O figo guardou muito tempo o seu segredo.
Então abre-se e vê-se o escarlate através da fenda.
E o figo está completo, fechou-se o ano.
Assim morre o figo, revelando o carmesim através da fenda púrpura
Como uma ferida, a exposição do segredo à luz do dia.
Como uma prostituta, a fruta aberta mostra o segredo.
Assim também morrem as mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano,
O ano das nossas mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Foi desvendado o segredo.
E em breve tudo estará podre.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Quando no seu espírito Eva soube que estava nua
Coseu folhas de figueira para si e para o homem.
Sempre estivera nua,
Mas nunca se importara com isso antes da maçã da ciência.
Soube-o no seu espírito, e coseu folhas de figueira.
E desde então as mulheres não pararam de coser.
Agora bordam, não para esconder, mas para adornar o figo aberto.
Têm agora mais que nunca a sua nudez no espírito,
E não hão-de nunca deixar que o esqueçamos.
Agora, o segredo
Tornou-se uma afirmação através dos lábios húmidos e escarlates
Que riem perante a indignação do Senhor.
Pois quê, bom Deus! gritam as mulheres.
Muito tempo guardámos o nosso segredo.
Somos um figo maduro.
Deixa-nos abrir em afirmação.
Elas esquecem que os figos maduros não se ocultam.
Os figos maduros não se ocultam.
Figos branco-mel do Norte, negros figos de entranhas escarlates do Sul.
Os figos maduros não se ocultam, não se ocultam sob nenhum clima.
Que fazer então quando todas as mulheres do mundo se abrirem na sua afirmação?
Quando os figos abertos se não ocultarem?
D. H. Lawrence, As Magias
Tradução de Herberto Helder
Para quem sabe inglês o original está aqui
Como eu gosto de figos! Acho que até é pecado gostar tanto! Mas uma transgressora e pecadora, como eu, sem arrependimento à vista, quer lá saber...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Ainda sobre a Lesboa Party

Hoje, o jornal de distribuição gratuita Metro, faz referência à Lesboa Party de amanhã. Mas, a razão desta chamada de atenção, está na forma como a Citadina, com sentido crítico, contudo cheio de humor, se refere ao modo como aquele jornal anuncia a festa. Ora leiam lá aqui e sorriam!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Dia da(o)s namorada(o)s



Eu sei que é mais uma operação de marketing e uma comercialização das emoções, como diz muito bem a minha amiga Citadina, no entanto, encontrando-me eu sem namorada há já um tempo e não vendo jeito de voltar a ter, pelo sim e pelo não, vou jantar com a minha ex, talvez nos lembremos de outros tempos.

Desejo-vos um óptimo resto de dia da(o)s namorada(o)s e, sobretudo, uma excelente noite!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Lesboa Party - 3ª Edição



É já no próximo sábado, em pleno carnaval, que terá lugar a 3ª edição da Lesboa Party, um evento LGBT, contudo hetero friendly e que tem vindo a crescer em popularidade desde a 1ª edição, em Setembro passado.

O local da festa vai ser o mesmo da 2ª edição, ou seja, no Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia (Tapada da Ajuda) com abertura de portas às 23h30.

Para mais informações vejam aqui.

Mascarada ou não, eu vou lá estar, e tu?

sábado, janeiro 27, 2007

Pompoarismo; o que é?


Constata-se que na cultura ocidental existe uma acentuada valorização do orgasmo, enquanto que nas culturas orientais se busca ir mais além, talvez ao "muito prazer".
O Tantrismo, o Kama Sutra, o Pompoarismo etc., são alguns exemplos de técnicas que maximizam a arte do prazer no sexo. Das três técnicas referidas, a menos conhecida pelas mulheres ocidentais é o pompoarismo.
Através da prática do pompoarismo as mulheres dão às suas vaginas o poder de pompoar, uma técnica milenar que consiste em movimentar voluntariamente a musculatura da região pélvica (períneo e vagina) com a força e a velocidade adequadas no sentido de aumentar o prazer sexual.
Esta técnica tem transformado as suas praticantes em verdadeiras "senhoras do sexo", ajudando-as a recuperar a sua auto-estima e o prazer, principalmente, em relações desgastadas pelo tempo.
Quem já viu os famosos vídeos que circulam pela internet de mulheres tailandesas fazendo malabarismos, como atirar dardos, bananas, fumar e até abrir garrafas, fica com uma ideia do que uma vagina saudável e forte é capaz de fazer.
Contrariamente ao que se pode pensar, o pompoarismo não serve apenas as mulheres heterossexuais ou bissexuais mas também as homossexuais.
Na verdade, é uma prática indicada no tratamento e prevenção de problemas como incontinência urinária, queda de útero, dispareunia (dor durante a penetração seja de pénis, dedos ou dildos) e auxilia as mulheres que sofrem de vaginismo e anorgasmia. Também favorece as pessoas que querem ter ou tiveram parto normal e ajuda as mulheres a terem menos problemas durante a menopausa.
Alguns ginecologistas defendem mesmo que se as mulheres praticassem o pompoarismo não teriam muitos dos problemas que têm no seu aparelho genital.
Muitas mulheres dizem que, com o pompoarismo, têm orgasmos mais intensos e frequentes, assim como lhes facilita terem orgasmos múltiplos.
Após uma semana de exercícios de pompoarismo as mulheres podem notar a diferença, podendo ter o domínio dos músculos vaginais em dois meses, dependendo da frequência dos exercícios. Estes podem ser realizados a qualquer hora do dia e podem ser repetidos ao longo da vida.
Movimentos básicos
Existem oito movimentos básicos que a pompoarista heterossexual e bissexual pode realizar durante o acto sexual com o(s) seu(s) parceiro(s) masculino(s). As lésbicas que apreciem penetrar e/ou serem penetradas com dildos podem também realizá-los bastando, para isso, que substituam a palavra pénis por dildo.
Chupitar: sugar o pénis, movimentando a vagina como se fosse a boca de uma criança chupando uma chupeta.
Estrangular: apertar o pescoço da glande com o anel que estiver melhor posicionado. Expelir: forçar a expulsão do pénis até que só a glande continue introduzida.
Ordenhar: massajar o pénis, apertando do primeiro até o último anel, de forma cadenciada, e depois soltando.
Revirginar: consiste em fechar os lábios e o primeiro anel vaginal dificultando a entrada do pénis. Este movimento simula uma vagina virgem.
Sugar: Deve introduzir-se somente a ponta do pénis na vagina, a mulher deve fazer um movimento de sucção forçando a entrada, por completo, do pénis.
Torcer: movimentar o pénis, apertando todos os anéis e girando, em movimento de rotação, ora para a direita e ora para a esquerda.
Travar: contrair fortemente a vagina, impedindo a saída do pénis. Estes movimentos podem ser executados com força e velocidade adequadas para cada casal, podem ser repetidos, alternados ou conjugados.
O movimento de estrangulamento, quando empregado correctamente, também serve para auxiliar a retardar a ejaculação e deve ser utilizado por mulheres heterossexuais e bissexuais que tenham parceiros que sofram de ejaculação precoce.
A combinação aleatória destes movimentos vai gerar uma gama enorme de sequências que podem proporcionar grande prazer sexual.
Como exercitar-se
1. Contracção vaginal
Sentada numa cadeira, contraia os músculos da vagina como se apertasse algo dentro dela. Conte até três e relaxe. Repita dez vezes. Depois, contraia e relaxe rapidamente, como se quisesse imitar o ritmo de uma respiração ofegante. Conte até dez novamente. Total: 20 repetições.
2. Contracção anal
Deitada, flexione as pernas e eleve o quadril. Fique apoiada apenas sobre os ombros e os pés. Contraia as nádegas, conte até três e solte. Faça dez vezes. Deite-se na cama e relaxe o corpo por alguns instantes. Depois, volte à posição anterior e contraia o ânus em três tempos, sem relaxar entre um e outro: de leve, mais forte e com toda a intensidade. Faça dez vezes. Relaxe e repita o exercício, só que desta vez irá contrair não só o ânus, mas também a vagina como se quisesse sugar alguma coisa com ela. Mais dez vezes. Total: 30 repetições.
3. Sucção vaginal
Recostada na cama, separe as pernas e deixe-as semiflexionadas. Insira um dos dedos na vagina e aperte-o o máximo que puder. Caso não consiga apertar o dedo, insira dois. Faça dez vezes. Depois, tente sugar o dedo com a vagina. Ajude com a respiração: na hora do movimento de sucção do dedo, inspire e prenda o ar. Conte até três. Repita dez vezes. Total: 20 repetições.
4. Contracção do glúteo
De pé, com os pés paralelos e distantes 20 centímetros um do outro, contraia as nádegas. Tente uni-las o máximo que puder. Conte até três e relaxe. Faça dez vezes. Repita o exercício contraindo e soltando rapidamente, como se acompanhasse uma respiração ofegante. Conte dez vezes. Total: 20 repetições.
5. Movimentação do períneo
De pé, com as pernas semiflexionadas e as mãos na cintura, mova a pélvis para cima e para frente, contraindo o canal da vagina. Conte até três e solte. Faça dez vezes. Depois, faça um movimento circular. São quatro movimentos: primeiro, a pélvis vai para cima e para frente; depois o quadril vai para a esquerda; em seguida as nádegas devem ser impinadas para trás; por último, o quadril vai para a direita. Faça dez giros completos. Total: 20 repetições.
Como podem ver é muito fácil praticar mesmo por parte das mais preguiçosas. Um pequeníssimo esforço para um resultado fabuloso para a vossa vida sexual e saúde genital.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Pelo SIM à Interrupção Voluntária da Gravidez

Tive acesso a informação veiculada pelo Movimento Jovens pelo SIM e coloco-a aqui porque, dada a sua objectividade, julgo responder a algumas questões e dúvidas de muitas pessoas.
Este post não é, portanto, dirigido a quem, como eu, nunca teve qualquer dúvida sobre o sentido do seu voto e, sim, a quem ainda não se decidiu.
A pergunta que consta da Resolução da Assembleia da República e que vai ser feita aos portugueses é a seguinte:
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Com excepção dos casos de gravidez em consequência de violação, mal formação do feto e gravidez que coloque em risco a saúde da mulher, o Código Penal Português, diz no seu artigo 140º "A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiros, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos."
De acordo com a Organização Mundial de Saúde:
"Os governos (...) deverão enquadrar as leis e políticas sobre o aborto tendo por base um compromisso com a saúde das mulheres e com o seu bem-estar não com base nos códigos criminais e em medidas punitivas."
"O aborto ilegal e sem segurança representa um dos mais graves problemas de saúde pública da actualidade."
O Parlamento Europeu recomenda aos estados membros que a interrupção voluntária da gravidez seja legal, segura, e universalmente acessível de modo a salvaguardar a saúde das mulheres.
O aborto já foi despenalizado em 56 países, abrangendo 60% da população mundial, entre os quais: EUA, Espanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Holanda, Alemanha, Itália, Bélgica, Grécia, Hungria, Canadá, Japão, Austrália, etc.
Portugal é o único país da Europa onde ainda existem julgamentos por prática de aborto.

Actualmente, decorre um julgamento em Aveiro em que o Ministério Público pede 3 anos de prisão efectiva para sete mulheres.

O aborto clandestino já causou a morte a demasiadas mulheres e, a muitas outras, causou esterilidade. Para além disto, às urgências dos hospitais chegam todos os anos inúmeros casos de hemorragias, choque, tromboflebites, septicémias e outras infecções. Estas situações podiam ser evitadas se o aborto fosse realizado em condições de segurança.
Se o SIM ganhar
1- É retirada a pena de prisão até três anos para as mulheres que abortem, quando o façam até às 10 semanas;
2- O aborto passa a ser realizado em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados;
3- A prática do aborto passa a implicar, obrigatoriamente, que a mulher receba informação sobre contracepção.
Factos e argumentos registados em estudo feito pela Associação para o Planeamento e Família (APF) em 2006
1- Em Portugal 360.000 mulheres entre os 18 e os 49 anos já abortaram clandestinamente.
A actual lei é causadora do aborto clandestino.
2- 34% das mulheres que abortam, não fazem nenhum exame médico prévio. 64% não tem nenhum acompanhamento médico a seguir ao aborto. Das mulheres que têm complicações após o aborto, 27% têm de ser internadas.
A actual lei coloca em perigo a vida e a saúde das mulheres.
3- 75.000 mulheres que abortaram estavam a usar métodos contraceptivos que falharam. 70% das mulheres que abortaram não receberam informação sobre contracepção.
A actual lei impede a prevenção de abortos no futuro.
4- 54% dos abortos são feitos entre os 13 e os 24 anos.
A actual lei prejudica em particular as raparigas mais jovens e desfavorecidas.
Desde o último referendo em 1998, em que ganhou o NÃO, estes números foram aumentando, deitando por terra os argumentos das Associações favoráveis ao NÃO que se propunham a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para apoiar as mulheres mais desfavorecidas, para não recorrerem ao aborto. Portanto, se ganhar o NÃO ficará tudo na mesma.
O NIN (voto nulo ou em branco) sendo um voto válido é, em minha opinião, um voto desresponsabilizante e cómodo e, sinceramente, compreendo-o melhor vindo dos eleitores masculinos que dos femininos.
A abstenção, é o total desinteresse pelo que se passa no mundo e demonstra uma cegueira e um umbiguismo tal que retira ao eleitor que não for às urnas, o direito de reclamar seja em que circunstância for.
Por tudo isto, eu voto por uma lei responsável. Voto SIM.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

O Milagre Português



"Para mim, é a repetição do milagre que as mulheres portuguesas continuam a fazer. Estão nas filas dos transportes públicos às seis da manhã para ir para o trabalho e depois, à noite, em casa, vão mantendo tudo como se lá tivessem estado todo o dia. Face ao que fazem todos os dias, tudo o mais no País é realmente banal."

Uma simples mas muito justa homenagem de Mário Crespo às mulheres portuguesas, anónimas e silenciosas que diáriamente, apesar das dificuldades do duplo trabalho a que estão sujeitas, fora e dentro de casa, continuam a ser os alicerces da nossa sociedade.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Caminhos que se cruzam



Uma direcção…
Um percurso…
Um enlace…
Um momento…
Descoberta…
Teias que se tecem…

Harmonia ?

Trilhos…
Cercas…
Muros…
Encruzilhadas…
Probabilidades…
Teias que se desfazem…

Acaso ?

Que encontros são esses que mudam as nossas vidas?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A Romã


Deixei passar o dia de reis sem falar na romã, fruto que neste data festiva é colocada na mesa de muitas famílias portuguesas, inclusive, cristãs. No entanto, porque considero um tema interessante, venho falar sobre este fruto, mesmo com atraso.

O culto à romã vem dos rituais pagãos da Antiguidade. A romã representa o amor, a fertilidade, a abundância, a riqueza, devido às suas numerosas sementes. A romã é um dos sete frutos pelos quais a terra de Israel foi abençoada - a propósito dos sete frutos sagrados de que falarei à frente -.

Ora, na época em que a Igreja Católica Apostólica Romana decidia, em todos os quadrantes, os destinos da maioria da população da Europa e, arrogando-se como detentora da verdade e única via para chegar ao Pai, apelidava tudo o que fosse pagão de herege.

No entanto, devido à sua arrogância e auto convencimento de ser possuidora de todo o conhecimento, a Igreja desconhecia muitas coisas, entre elas, que a romã era um símbolo pagão.

Quando algum artesão pretendia deixar uma marca indelével nas suas obras, sobre o que pensava da Igreja ou daquilo que esta transmitia, utilizava símbolos para a posteridade.

Uma dessas personagens foi, entre outras, o pintor Sandro Botticelli. Botticelli era "O Pintor da Igreja" por excelência, pelo que, foi com alguma surpresa que muitos anos mais tarde, se verificou que, ao fim e ao cabo, ele era herege, pois nos seus quadros há imensos símbolos pagãos.

Como herege e seguidor da tradição dos primeiros cristãos, Sandro Botticelli não aceitava os dogmas criados pela Igreja e, menos ainda, o dogma dos dogmas, que é a virgindade de Maria, mãe de Jesus.

Como prova disso, pintou o célebre quadro "La Madonna della Melagrana" (A Senhora da Romã) onde aparece Maria com Jesus menino ao colo e uma romã junto dele. Com isto, Botticelli de forma velada, dizia-nos que Maria tinha dado à luz como qualquer outra mulher. De facto, a romã está posicionada junto ao filho que, por sua vez, está sentado ao colo dela, ou seja, junto ao seu ventre.

Clicando aqui poderão analisar a imagem.

Como anteriormente referi, a romã é um dos sete frutos sagrados na tradição judaica.

"Pois o Senhor teu Deus vai-te levando a uma boa terra: … Uma terra de trigo, cevada, uvas, figos e romãs: uma terra de oliveiras que emana azeite e [tâmara] mel." (Devarim 8:8)

O homem é equiparado a "uma árvore do campo" e, sendo o fruto a maior realização da árvore, há sete frutos que coroam a colheita humana e botânica. Estes são os sete frutos e grãos destacados pela Torá como exemplares da fertilidade da Terra Santa (Israel): trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras.

Assim, na tradição judaica, é no 15º dia do mês hebraico de Shevat que se comemora o "Ano Novo das Árvores". Nesse dia, partilham-se e comem-se aqueles sete frutos que exemplificam as várias componentes da vida humana.

Percebem agora porque no início do texto digo “... inclusive, cristãs.” ? Por mais esforços que a Igreja Católica Apostólica Romana tenha feito, não conseguiu erradicar a natural transposição de outras tradições para a tradição cristã. Ainda bem!


terça-feira, janeiro 02, 2007

Só para testar ...

... se captei bem a lição da NNANNARELLA, a quem desde já agradeço, por me ter ensinado como se destaca uma palavra de modo a facilitar o acesso a um link quando alguém clicar sobre ela. Pela sua explicação, a coisa é muito simples, mas quem não sabe é como quem não vê que é algo que me acontece muitas vezes. Loirices!
Grazie tante, bella.