terça-feira, fevereiro 27, 2007

Publicidade


Nesta imagem estão Gisele Bündchen e Rhea Durham protagonizando, entre si, uma cena sensual, quase selvagem e que pretende publicitar algo da casa Dior. Digo algo porque apenas sei que a grife é Dior, mas não consigo perceber o que está a ser publicitado. Acessórios, malas, roupas, perfumes? Eu inclino-me para um perfume, mas isso é porque Gisele Bündchen quase parece querer devorar Rhea Durham e, como é sabido, um bom perfume feminino pode causar apetites vorazes…

A publicidade está a mudar ou isto foi só uma provocaçãozinha sem continuidade? I wonder…

domingo, fevereiro 25, 2007

Safo - A décima musa


Safo nasceu em Eressos pequena cidade da ilha de Lesbos, uma ilha grega do mar Egeu, por volta de 612 a. C. tendo, ainda menina, mudado para a principal cidade da mesma ilha, Mitilene. De família nobre, casou-se muito jovem com um homem rico e teve uma filha chamada Cleis.

Aos 19 anos, Safo já fazia parte da vida pública (na política e na poesia). Safo conspirou contra o tirano Pítaco que, temendo-lhe a escrita, a desterrou para a Sicília.

Quando falamos em lesbianismo, estamos de certa forma a referirmo-nos a Safo, que também foi a pioneira na expressão do desejo homossexual feminino.

MULHER 1 – Dizem que amas as mulheres...
MULHER 2 – Dizem que te queres igualar aos homens...
SAFO – Que digam o que queiram, amigas. Não é a língua deles, os invejosos, que me importa?
MULHER 1 – Também dizem que tu, querida Safo, queres mudar a democracia grega.

SAFO – Uma democracia sem mulheres, que valor tem? O que acontece é que lá em Atenas, os homens, acreditam que são superiores. Mas não será assim nesta ilha abençoada por Afrodite.

Quando voltou do exílio, Safo criou uma escola para jovens mulheres, onde leccionava poesia, dança e música. Foi considerada a primeira "escola de aperfeiçoamento" da História.

SAFO – Uma Academia para mulheres!
MULHER 2 – E o que aprenderemos nessa Academia, querida Safo?
SAFO – Tudo o que aprendem os homens nas suas. Estudaremos poesia, música e dança, mas também ginástica. Cultivar-nos-emos em filosofia e também em política.
MULHER 1 – Mulheres fazendo política?
SAFO – Tudo o que os homens fazem, também nós podemos fazer.

Na antiga Atenas, somente as cortesãs podiam ter vida social e intelectual. As esposas ficavam em casa, presas às tarefas domésticas.

HOMEM 1 – Estão já inteirados, ilustríssimos cidadãos de Atenas?... Temos concorrência!
HOMEM 2 – De que falas, Anacreonte?
HOMEM 1 – Na vizinha ilha de Lesbos, levantou-se uma poetisa chamada Safo. Ensina às mulheres. Diz-lhes que não obedeçam, que não se ponham debaixo de nós.
HOMEM 2 – Será que a essa tal Safo não lhe agrada o que nós, homens, temos?...

Na Academia, as discípulas eram chamadas de hetairai (amigas) e não de alunas...E a mestra apaixonava-se pelas suas amigas. Dentre, elas, aquela que viria a tornar-se a sua maior amante, Atis, a favorita.

SAFO – Enamorei-me, Atis, de ti, faz muito tempo e parecias-me sem graça, como uma pequena menina. Como o vento desenfreado que nas montanhas cai sobre os bosques, o amor faz estremecer o meu ser. Não pude dizer: há em mim duas almas.
Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo subtil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frémito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

SAFO – Que amo as mulheres? Claro que as amo. E por que não? Também amo os homens ternos. E sobre todos os amores, amo a ela, minha doce Afrodite.

Mas Atis apaixona-se por um moço e, com ciúmes, Safo dedica-lhe os versos:
Semelhante aos deuses parece-me que há de ser o feliz
mancebo que, sentado à tua frente, ou ao teu lado,
te contemple e, em silêncio, te ouça a argêntea voz
e o riso abafado do amor. Oh, isso - isso só - é bastante
para ferir-me o perturbado coração, fazendo-o tremer
dentro do meu peito.
Pois basta que, por um instante, eu te veja
para que, como por magia, minha voz emudeça;
sim, basta isso, para que minha língua se paralise,
e eu sinta sob a carne impalpável fogo
a incendiar-me as entranhas.
Meus olhos ficam cegos e um fragor de ondas
soa-me aos ouvidos;
o suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor (...)

A aluna foi retirada da Escola por seus pais, e Safo escreveu que "seria bem melhor para mim se tivesse morrido".

Os seus poemas, porém, não ficaram imortalizados apenas pelo lesbianismo. São considerados momentos culminantes da lírica grega, e o jurista Sólon dizia que “queria aprender um poema de Safo e depois morrer”.

Muito se escreveu e criou sobre Safo, inclusive sobre a sua morte. A lenda diz que se suicidou saltando para um precipício na ilha de Leucas, apaixonada pelo marinheiro Faon. No entanto, escritos sobreviventes, dão-na como tendo atingindo a velhice e terá morrido anciã, rodeada pelas suas discípulas e amigas, olhando o mar azul de Lesbos, vendo chegar, sobre a espuma, o corpo de uma mulher, o mais bonito de todos, o de Afrodite, deusa do amor e da beleza.
Dois séculos depois de sua morte, Platão celebrou-a e imortalizou-a como sendo "a décima musa".

Escreveu nove livros, mas só chegaram, até nós, partes de duas odes e cerca de 175 fragmentos de outros poemas. No ano de 1073, transcrições dos seus poemas foram destruídos em Roma e Constantinopla pela Igreja Católica, por serem considerados imorais.

Fontes:
Wikipédia
Lírica de Safo
Diálogos daqui
Informação adiccional aqui

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Quase


Adoro poesia e, perdoem-me as pessoas de outros países, mas não há poetas como os portugueses!

É da língua, concerteza, que com vocabulário tão rico e tão belo som sibilante ou ciciante, se presta a devaneios linguísticos que explicam, como ninguém, estados de alma ou outros.

Os únicos poemas que postei até agora neste blog são da minha autoria.
Hoje, apetece-me postar um dos poemas mais bonitos de Mário de Sá Carneiro, um poeta de que gosto tanto que até lhe "roubei" a inspiração ao primeiro verso do referido poema que, descaradamente, adaptei para o meu perfil. O que vocês não sabem, mas vão ficar a saber, é que só costumo fazer isto com os(as) autores(as) que muito aprecio.
Ora, digam-me lá se isto não é de uma genialidade e beleza ímpares?

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...

Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Lesboa Party III - Opinião

A minha amiga Avalone, fundadora do fórum PussyCatBlue fez anos no passado dia 17, portanto, em data que coincidia com a Lesboa Party.
Antes de continuar com mais considerandos, gostaria de dizer que participo no referido fórum com o nick Artémis, sendo moderadora do mesmo. Digo isto, porque existem alguns (poucos) textos que aqui escrevi e coloquei lá e vice-versa e não gostaria de ser acusada de plágio.

Posto isto e continuando com os considerandos, juntámo-nos no Hard Rock Café onde jantámos e festejámos o aniversário da Ava. A Citadina usava um vestido étnico comprido em tons de vermelho e mascarou-se com uma peruca e uns óculos fazendo lembrar Janis Joplin. Estava fabulosa! Eu tentei mascarar-me de butch ou, no mínimo, de marialva, mas com o meu indisfarçável ar de femme, as minhas amigas foram unânimes na opinião de que eu ia de José Castelo Branco! Kórror!!!

Bom, após o jantar, os brindes com votos de felicidades, os parabéns, o apagar das velas e os aplausos, rumámos ao Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia para participarmos da Lesboa Party.

Logo à entrada apanhei uma decepção porque a elegante Senhora que, na edição anterior, servia shots a quem entrava, foi substituída por um Senhor em andas que não tinha uma décima da graça daquela. Junto o meu grito ao da AR “Quero a Sr.ª de volta”!

Os dois bares (um à entrada e outro do lado oposto, para lá da pista que se manteve ao meio) serviam depressa e bem, apesar de que, a partir de uma certa hora, se tornou mais difícil matar a sede devido às filas que se formavam para a compra das senhas.

A música era um misto de anos 80, 90 e actuais, dançáveis e, portanto, do meu agrado e do das amigas que me acompanhavam (que por acaso são mais jovens que eu). Só a partir aí das 04h00 é que veio aquele tam, tam, tam igual, sem melodia, cansativo que só mesmo o pessoal muito jovem aprecia, o que não deixa de ser natural.

O som continua uma miséria, tanto em termos acústicos, pois em certos locais da sala a coisa fica mesmo insuportável, como da parte dos DJ’s ao falharem as passagens de umas faixas para outras.

Apesar da falta de glamour que continua escasso, salvo muito raras excepções, havia gente muito bonita de todas as idades e credos sexuais. Foi um banquete para os olhos.

Pelas 05h30 resolvemos ir embora porque o tam, tam, tam e a acústica estava a dar-nos cabo dos ouvidos.

Se a organização melhorar a acústica, contratar DJ’s menos preocupados em serem estrelas e mais preocupados em não acabarem com os ouvidos das pessoas, protagonizará uma festa perfeita.
Venha a quarta edição!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Figos


A pedido de várias pessoas e enquanto a inspiração deambula por outras paragens, deixo aqui este poema sobre “Figos” de D. H. Lawrence que a Ela um destes dias deixou num comentário, neste blog, ao texto Caminhos que se cruzam.

A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-lo em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-lo para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.
Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.
Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.
Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.
Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.
O figo, a ferradura, a flor da abóbora.
Símbolos.
Era uma flor que brotava para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura.
Foi sempre um segredo.
E assim deveria ser, a fêmea deveria manter-se para sempre
secreta.
Nunca foi evidente, expandida num galho
Como outras flores, numa revelação de pétalas;
Rosa-prateado das flores do pessegueiro, verde vidraria veneziana
das flores da nespereira e da sorveira,
Taças de vinho pouco profundas em curtos caules túmidos,
Clara promessa do paraíso:
Ao espinheiro florido! À Revelação!
A corajosa, a aventurosa rosácea.
Dobrado sobre si mesmo, indizível segredo,
A seiva leitosa que coalha o leite quando se faz a ricotta,
Seiva tão estranhamente impregnando os dedos que afugenta as
próprias cabras;
Dobrado sobre si mesmo, velado como uma mulher muçulmana,
A nudez oculta, a floração para sempre invisível,
Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;
Figo, fruta do mistério feminino, escondida e intima,
Fruta do Mediterrâneo com tua nudez coberta,
Onde tudo se passa no invisível, floração e fecundação, e maturação
Na intimidade mais profunda, que nenhuns olhos conseguem
devassar
Antes que tudo acabe, e demasiado madura te abras entregando
a alma.
Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim.
O figo guardou muito tempo o seu segredo.
Então abre-se e vê-se o escarlate através da fenda.
E o figo está completo, fechou-se o ano.
Assim morre o figo, revelando o carmesim através da fenda púrpura
Como uma ferida, a exposição do segredo à luz do dia.
Como uma prostituta, a fruta aberta mostra o segredo.
Assim também morrem as mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano,
O ano das nossas mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Foi desvendado o segredo.
E em breve tudo estará podre.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Quando no seu espírito Eva soube que estava nua
Coseu folhas de figueira para si e para o homem.
Sempre estivera nua,
Mas nunca se importara com isso antes da maçã da ciência.
Soube-o no seu espírito, e coseu folhas de figueira.
E desde então as mulheres não pararam de coser.
Agora bordam, não para esconder, mas para adornar o figo aberto.
Têm agora mais que nunca a sua nudez no espírito,
E não hão-de nunca deixar que o esqueçamos.
Agora, o segredo
Tornou-se uma afirmação através dos lábios húmidos e escarlates
Que riem perante a indignação do Senhor.
Pois quê, bom Deus! gritam as mulheres.
Muito tempo guardámos o nosso segredo.
Somos um figo maduro.
Deixa-nos abrir em afirmação.
Elas esquecem que os figos maduros não se ocultam.
Os figos maduros não se ocultam.
Figos branco-mel do Norte, negros figos de entranhas escarlates do Sul.
Os figos maduros não se ocultam, não se ocultam sob nenhum clima.
Que fazer então quando todas as mulheres do mundo se abrirem na sua afirmação?
Quando os figos abertos se não ocultarem?
D. H. Lawrence, As Magias
Tradução de Herberto Helder
Para quem sabe inglês o original está aqui
Como eu gosto de figos! Acho que até é pecado gostar tanto! Mas uma transgressora e pecadora, como eu, sem arrependimento à vista, quer lá saber...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Ainda sobre a Lesboa Party

Hoje, o jornal de distribuição gratuita Metro, faz referência à Lesboa Party de amanhã. Mas, a razão desta chamada de atenção, está na forma como a Citadina, com sentido crítico, contudo cheio de humor, se refere ao modo como aquele jornal anuncia a festa. Ora leiam lá aqui e sorriam!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Dia da(o)s namorada(o)s



Eu sei que é mais uma operação de marketing e uma comercialização das emoções, como diz muito bem a minha amiga Citadina, no entanto, encontrando-me eu sem namorada há já um tempo e não vendo jeito de voltar a ter, pelo sim e pelo não, vou jantar com a minha ex, talvez nos lembremos de outros tempos.

Desejo-vos um óptimo resto de dia da(o)s namorada(o)s e, sobretudo, uma excelente noite!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Lesboa Party - 3ª Edição



É já no próximo sábado, em pleno carnaval, que terá lugar a 3ª edição da Lesboa Party, um evento LGBT, contudo hetero friendly e que tem vindo a crescer em popularidade desde a 1ª edição, em Setembro passado.

O local da festa vai ser o mesmo da 2ª edição, ou seja, no Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia (Tapada da Ajuda) com abertura de portas às 23h30.

Para mais informações vejam aqui.

Mascarada ou não, eu vou lá estar, e tu?

sábado, janeiro 27, 2007

Pompoarismo; o que é?


Constata-se que na cultura ocidental existe uma acentuada valorização do orgasmo, enquanto que nas culturas orientais se busca ir mais além, talvez ao "muito prazer".
O Tantrismo, o Kama Sutra, o Pompoarismo etc., são alguns exemplos de técnicas que maximizam a arte do prazer no sexo. Das três técnicas referidas, a menos conhecida pelas mulheres ocidentais é o pompoarismo.
Através da prática do pompoarismo as mulheres dão às suas vaginas o poder de pompoar, uma técnica milenar que consiste em movimentar voluntariamente a musculatura da região pélvica (períneo e vagina) com a força e a velocidade adequadas no sentido de aumentar o prazer sexual.
Esta técnica tem transformado as suas praticantes em verdadeiras "senhoras do sexo", ajudando-as a recuperar a sua auto-estima e o prazer, principalmente, em relações desgastadas pelo tempo.
Quem já viu os famosos vídeos que circulam pela internet de mulheres tailandesas fazendo malabarismos, como atirar dardos, bananas, fumar e até abrir garrafas, fica com uma ideia do que uma vagina saudável e forte é capaz de fazer.
Contrariamente ao que se pode pensar, o pompoarismo não serve apenas as mulheres heterossexuais ou bissexuais mas também as homossexuais.
Na verdade, é uma prática indicada no tratamento e prevenção de problemas como incontinência urinária, queda de útero, dispareunia (dor durante a penetração seja de pénis, dedos ou dildos) e auxilia as mulheres que sofrem de vaginismo e anorgasmia. Também favorece as pessoas que querem ter ou tiveram parto normal e ajuda as mulheres a terem menos problemas durante a menopausa.
Alguns ginecologistas defendem mesmo que se as mulheres praticassem o pompoarismo não teriam muitos dos problemas que têm no seu aparelho genital.
Muitas mulheres dizem que, com o pompoarismo, têm orgasmos mais intensos e frequentes, assim como lhes facilita terem orgasmos múltiplos.
Após uma semana de exercícios de pompoarismo as mulheres podem notar a diferença, podendo ter o domínio dos músculos vaginais em dois meses, dependendo da frequência dos exercícios. Estes podem ser realizados a qualquer hora do dia e podem ser repetidos ao longo da vida.
Movimentos básicos
Existem oito movimentos básicos que a pompoarista heterossexual e bissexual pode realizar durante o acto sexual com o(s) seu(s) parceiro(s) masculino(s). As lésbicas que apreciem penetrar e/ou serem penetradas com dildos podem também realizá-los bastando, para isso, que substituam a palavra pénis por dildo.
Chupitar: sugar o pénis, movimentando a vagina como se fosse a boca de uma criança chupando uma chupeta.
Estrangular: apertar o pescoço da glande com o anel que estiver melhor posicionado. Expelir: forçar a expulsão do pénis até que só a glande continue introduzida.
Ordenhar: massajar o pénis, apertando do primeiro até o último anel, de forma cadenciada, e depois soltando.
Revirginar: consiste em fechar os lábios e o primeiro anel vaginal dificultando a entrada do pénis. Este movimento simula uma vagina virgem.
Sugar: Deve introduzir-se somente a ponta do pénis na vagina, a mulher deve fazer um movimento de sucção forçando a entrada, por completo, do pénis.
Torcer: movimentar o pénis, apertando todos os anéis e girando, em movimento de rotação, ora para a direita e ora para a esquerda.
Travar: contrair fortemente a vagina, impedindo a saída do pénis. Estes movimentos podem ser executados com força e velocidade adequadas para cada casal, podem ser repetidos, alternados ou conjugados.
O movimento de estrangulamento, quando empregado correctamente, também serve para auxiliar a retardar a ejaculação e deve ser utilizado por mulheres heterossexuais e bissexuais que tenham parceiros que sofram de ejaculação precoce.
A combinação aleatória destes movimentos vai gerar uma gama enorme de sequências que podem proporcionar grande prazer sexual.
Como exercitar-se
1. Contracção vaginal
Sentada numa cadeira, contraia os músculos da vagina como se apertasse algo dentro dela. Conte até três e relaxe. Repita dez vezes. Depois, contraia e relaxe rapidamente, como se quisesse imitar o ritmo de uma respiração ofegante. Conte até dez novamente. Total: 20 repetições.
2. Contracção anal
Deitada, flexione as pernas e eleve o quadril. Fique apoiada apenas sobre os ombros e os pés. Contraia as nádegas, conte até três e solte. Faça dez vezes. Deite-se na cama e relaxe o corpo por alguns instantes. Depois, volte à posição anterior e contraia o ânus em três tempos, sem relaxar entre um e outro: de leve, mais forte e com toda a intensidade. Faça dez vezes. Relaxe e repita o exercício, só que desta vez irá contrair não só o ânus, mas também a vagina como se quisesse sugar alguma coisa com ela. Mais dez vezes. Total: 30 repetições.
3. Sucção vaginal
Recostada na cama, separe as pernas e deixe-as semiflexionadas. Insira um dos dedos na vagina e aperte-o o máximo que puder. Caso não consiga apertar o dedo, insira dois. Faça dez vezes. Depois, tente sugar o dedo com a vagina. Ajude com a respiração: na hora do movimento de sucção do dedo, inspire e prenda o ar. Conte até três. Repita dez vezes. Total: 20 repetições.
4. Contracção do glúteo
De pé, com os pés paralelos e distantes 20 centímetros um do outro, contraia as nádegas. Tente uni-las o máximo que puder. Conte até três e relaxe. Faça dez vezes. Repita o exercício contraindo e soltando rapidamente, como se acompanhasse uma respiração ofegante. Conte dez vezes. Total: 20 repetições.
5. Movimentação do períneo
De pé, com as pernas semiflexionadas e as mãos na cintura, mova a pélvis para cima e para frente, contraindo o canal da vagina. Conte até três e solte. Faça dez vezes. Depois, faça um movimento circular. São quatro movimentos: primeiro, a pélvis vai para cima e para frente; depois o quadril vai para a esquerda; em seguida as nádegas devem ser impinadas para trás; por último, o quadril vai para a direita. Faça dez giros completos. Total: 20 repetições.
Como podem ver é muito fácil praticar mesmo por parte das mais preguiçosas. Um pequeníssimo esforço para um resultado fabuloso para a vossa vida sexual e saúde genital.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Pelo SIM à Interrupção Voluntária da Gravidez

Tive acesso a informação veiculada pelo Movimento Jovens pelo SIM e coloco-a aqui porque, dada a sua objectividade, julgo responder a algumas questões e dúvidas de muitas pessoas.
Este post não é, portanto, dirigido a quem, como eu, nunca teve qualquer dúvida sobre o sentido do seu voto e, sim, a quem ainda não se decidiu.
A pergunta que consta da Resolução da Assembleia da República e que vai ser feita aos portugueses é a seguinte:
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Com excepção dos casos de gravidez em consequência de violação, mal formação do feto e gravidez que coloque em risco a saúde da mulher, o Código Penal Português, diz no seu artigo 140º "A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiros, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos."
De acordo com a Organização Mundial de Saúde:
"Os governos (...) deverão enquadrar as leis e políticas sobre o aborto tendo por base um compromisso com a saúde das mulheres e com o seu bem-estar não com base nos códigos criminais e em medidas punitivas."
"O aborto ilegal e sem segurança representa um dos mais graves problemas de saúde pública da actualidade."
O Parlamento Europeu recomenda aos estados membros que a interrupção voluntária da gravidez seja legal, segura, e universalmente acessível de modo a salvaguardar a saúde das mulheres.
O aborto já foi despenalizado em 56 países, abrangendo 60% da população mundial, entre os quais: EUA, Espanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Holanda, Alemanha, Itália, Bélgica, Grécia, Hungria, Canadá, Japão, Austrália, etc.
Portugal é o único país da Europa onde ainda existem julgamentos por prática de aborto.

Actualmente, decorre um julgamento em Aveiro em que o Ministério Público pede 3 anos de prisão efectiva para sete mulheres.

O aborto clandestino já causou a morte a demasiadas mulheres e, a muitas outras, causou esterilidade. Para além disto, às urgências dos hospitais chegam todos os anos inúmeros casos de hemorragias, choque, tromboflebites, septicémias e outras infecções. Estas situações podiam ser evitadas se o aborto fosse realizado em condições de segurança.
Se o SIM ganhar
1- É retirada a pena de prisão até três anos para as mulheres que abortem, quando o façam até às 10 semanas;
2- O aborto passa a ser realizado em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados;
3- A prática do aborto passa a implicar, obrigatoriamente, que a mulher receba informação sobre contracepção.
Factos e argumentos registados em estudo feito pela Associação para o Planeamento e Família (APF) em 2006
1- Em Portugal 360.000 mulheres entre os 18 e os 49 anos já abortaram clandestinamente.
A actual lei é causadora do aborto clandestino.
2- 34% das mulheres que abortam, não fazem nenhum exame médico prévio. 64% não tem nenhum acompanhamento médico a seguir ao aborto. Das mulheres que têm complicações após o aborto, 27% têm de ser internadas.
A actual lei coloca em perigo a vida e a saúde das mulheres.
3- 75.000 mulheres que abortaram estavam a usar métodos contraceptivos que falharam. 70% das mulheres que abortaram não receberam informação sobre contracepção.
A actual lei impede a prevenção de abortos no futuro.
4- 54% dos abortos são feitos entre os 13 e os 24 anos.
A actual lei prejudica em particular as raparigas mais jovens e desfavorecidas.
Desde o último referendo em 1998, em que ganhou o NÃO, estes números foram aumentando, deitando por terra os argumentos das Associações favoráveis ao NÃO que se propunham a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para apoiar as mulheres mais desfavorecidas, para não recorrerem ao aborto. Portanto, se ganhar o NÃO ficará tudo na mesma.
O NIN (voto nulo ou em branco) sendo um voto válido é, em minha opinião, um voto desresponsabilizante e cómodo e, sinceramente, compreendo-o melhor vindo dos eleitores masculinos que dos femininos.
A abstenção, é o total desinteresse pelo que se passa no mundo e demonstra uma cegueira e um umbiguismo tal que retira ao eleitor que não for às urnas, o direito de reclamar seja em que circunstância for.
Por tudo isto, eu voto por uma lei responsável. Voto SIM.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

O Milagre Português



"Para mim, é a repetição do milagre que as mulheres portuguesas continuam a fazer. Estão nas filas dos transportes públicos às seis da manhã para ir para o trabalho e depois, à noite, em casa, vão mantendo tudo como se lá tivessem estado todo o dia. Face ao que fazem todos os dias, tudo o mais no País é realmente banal."

Uma simples mas muito justa homenagem de Mário Crespo às mulheres portuguesas, anónimas e silenciosas que diáriamente, apesar das dificuldades do duplo trabalho a que estão sujeitas, fora e dentro de casa, continuam a ser os alicerces da nossa sociedade.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Caminhos que se cruzam



Uma direcção…
Um percurso…
Um enlace…
Um momento…
Descoberta…
Teias que se tecem…

Harmonia ?

Trilhos…
Cercas…
Muros…
Encruzilhadas…
Probabilidades…
Teias que se desfazem…

Acaso ?

Que encontros são esses que mudam as nossas vidas?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A Romã


Deixei passar o dia de reis sem falar na romã, fruto que neste data festiva é colocada na mesa de muitas famílias portuguesas, inclusive, cristãs. No entanto, porque considero um tema interessante, venho falar sobre este fruto, mesmo com atraso.

O culto à romã vem dos rituais pagãos da Antiguidade. A romã representa o amor, a fertilidade, a abundância, a riqueza, devido às suas numerosas sementes. A romã é um dos sete frutos pelos quais a terra de Israel foi abençoada - a propósito dos sete frutos sagrados de que falarei à frente -.

Ora, na época em que a Igreja Católica Apostólica Romana decidia, em todos os quadrantes, os destinos da maioria da população da Europa e, arrogando-se como detentora da verdade e única via para chegar ao Pai, apelidava tudo o que fosse pagão de herege.

No entanto, devido à sua arrogância e auto convencimento de ser possuidora de todo o conhecimento, a Igreja desconhecia muitas coisas, entre elas, que a romã era um símbolo pagão.

Quando algum artesão pretendia deixar uma marca indelével nas suas obras, sobre o que pensava da Igreja ou daquilo que esta transmitia, utilizava símbolos para a posteridade.

Uma dessas personagens foi, entre outras, o pintor Sandro Botticelli. Botticelli era "O Pintor da Igreja" por excelência, pelo que, foi com alguma surpresa que muitos anos mais tarde, se verificou que, ao fim e ao cabo, ele era herege, pois nos seus quadros há imensos símbolos pagãos.

Como herege e seguidor da tradição dos primeiros cristãos, Sandro Botticelli não aceitava os dogmas criados pela Igreja e, menos ainda, o dogma dos dogmas, que é a virgindade de Maria, mãe de Jesus.

Como prova disso, pintou o célebre quadro "La Madonna della Melagrana" (A Senhora da Romã) onde aparece Maria com Jesus menino ao colo e uma romã junto dele. Com isto, Botticelli de forma velada, dizia-nos que Maria tinha dado à luz como qualquer outra mulher. De facto, a romã está posicionada junto ao filho que, por sua vez, está sentado ao colo dela, ou seja, junto ao seu ventre.

Clicando aqui poderão analisar a imagem.

Como anteriormente referi, a romã é um dos sete frutos sagrados na tradição judaica.

"Pois o Senhor teu Deus vai-te levando a uma boa terra: … Uma terra de trigo, cevada, uvas, figos e romãs: uma terra de oliveiras que emana azeite e [tâmara] mel." (Devarim 8:8)

O homem é equiparado a "uma árvore do campo" e, sendo o fruto a maior realização da árvore, há sete frutos que coroam a colheita humana e botânica. Estes são os sete frutos e grãos destacados pela Torá como exemplares da fertilidade da Terra Santa (Israel): trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras.

Assim, na tradição judaica, é no 15º dia do mês hebraico de Shevat que se comemora o "Ano Novo das Árvores". Nesse dia, partilham-se e comem-se aqueles sete frutos que exemplificam as várias componentes da vida humana.

Percebem agora porque no início do texto digo “... inclusive, cristãs.” ? Por mais esforços que a Igreja Católica Apostólica Romana tenha feito, não conseguiu erradicar a natural transposição de outras tradições para a tradição cristã. Ainda bem!


terça-feira, janeiro 02, 2007

Só para testar ...

... se captei bem a lição da NNANNARELLA, a quem desde já agradeço, por me ter ensinado como se destaca uma palavra de modo a facilitar o acesso a um link quando alguém clicar sobre ela. Pela sua explicação, a coisa é muito simples, mas quem não sabe é como quem não vê que é algo que me acontece muitas vezes. Loirices!
Grazie tante, bella.

sábado, dezembro 30, 2006

Um novo ano com mudanças, para melhor!


Uma amiga brasileira, através de alguns textos apresentou-me Edson Marques, filósofo do amor, amante da liberdade, transgressor por essência e rebelde por convicção. Em jeito de votos para um excelente 2007 deixo, da sua autoria, este belíssimo
Mude
Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.
Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.
Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.
Só o que está morto não muda!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Renascimento - Um conto sobre a amizade



Foram tempos tenebrosos, aqueles. Por mais belos que estivessem os dias, por mais luminosidade que as manhãs daquele verão quente lhe oferecessem, ela continuava indiferente mergulhada nas trevas para onde, por sua culpa, se tinha atirado. “Deixaste-te cair no mais fundo dos abismos e porquê? Para quê? Estúpida! Burra!” pensava para consigo.

Havia já uns anos que tinha tatuado no corpo e na alma a palavra perda. Devido a essa perda e ao brutal desgosto que lhe adveio, isolou-se do mundo. Tornara-se uma solitária; por vezes era lobo outras capuchinho vermelho, conforme a telha. O que queria mesmo era não resistir àquela dor que lhe moía a alma e lhe magoava o corpo. Resistiu; odiava-se por isso.

Como se não bastasse, tinha tido nos últimos tempos um comportamento verdadeiramente vergonhoso. Sentia nojo de si própria. Aquela solidão excessiva estava a endoidecê-la.

Mas, apesar da sua alma ansiar por sair do buraco em que se encontrava, a sua razão não lhe facilitava a tarefa. Incompreensivelmente, ela tinha prazer no que sentia. “És mesmo uma anormal! Se ao menos percebesses porque gozas por chafurdar na lama!” mas não conseguia perceber porque tinha feito aquilo. O entendimento do que se passava consigo, era algo que o seu cérebro já não processava; talvez para se defender de algum curto-circuito que definitivamente a mandasse para o limbo. Tinha perdido tudo; discernimento, coragem, crédito e, sobretudo, amor-próprio. Apenas lhe restava aquele poço onde se deixara cair.

Agarrou-se como náufraga à sua culpa e à sua dor apenas para sentir alguma coisa e inconscientemente sobreviver. “Viraste uma masoquista emocional, minha maluca! Por quanto tempo terei paciência para me aturar?”

Toca uma ária da Cavalleria Rusticana, ela sai do torpor em que se encontrava e atende o telemóvel.

- Tá lá? - Ouviu uma voz feminina perguntar. - Ó mulher o que é feito de ti que ninguém te vê? Telefonei para saber se estás viva, pá!

- Tou viva tou, infelizmente! O que queres?

- Ó pá o que te aconteceu? Bolas, não te oiço bem, parece que falas do fundo de um poço! - Dizia a voz entrecortada com pancadinhas no telemóvel.

- E falo! Tou no mais fundo dos poços e tou muito bem. Liga-me no dia do meu funeral. Tchau! - Desligou. “Puxa, como é que esta gaja adivinhou que eu estava num poço? O raio que a parta!” pensou. Adormeceu.

Acordou sobressaltada com o toque insistente da campainha da sua porta. A resmungar, despenteada e trôpega abriu a porta sem sequer tentar, antes, saber quem era.

- Ai mulher, como tu estás, pareces uma morta viva daquelas saídas de um filme de terror de terceira categoria! - Disse Sofia com uma grande dose de horror estampada no rosto. - O que se passa contigo? Ainda não superaste pois não, amiga? Mas já lá vai tanto tempo, querida. Deixa-me ajudar-te! - Disse-lhe abraçando-a.

- Fiz uma coisa horrível que quero contar-te! - Respondeu. Depois de desfiar todo rosário do seu pecado, perscrutou o rosto de Sofia tentando perceber se esta iria continuar sua amiga. Sofia limitou-se a abraçá-la e disse-lhe numa voz imperativa que não admitia ser contrariada:

- Vai pôr-te bonita. Vamos sair!

Como um autómato, lá foi para o duche e a seguir vestiu o primeiro trapo que lhe apareceu mal abriu o roupeiro. Quando surgiu à frente de Sofia, esta olhou-a franzindo o sobrolho e disparou:

- Se não consegues melhor que isso, tudo bem. Vamos!

Viu-se arrastada para uma esplanada onde se encontravam Ana e Paula que ficaram estupefactas ao vê-la.

- Já sei que não estou uma beleza, mas livrem-se de dizerem uma palavra. Tenho de vos contar uma coisa horrorosa que fiz!

E lá contou a história de novo, enquanto Sofia revirava os olhos enfadada.

Ficou à espera de uma reacção de forte desaprovação mas Ana e Paula limitaram-se a dizer-lhe: - Foi feio o que fizeste, mas vais torturar-te para o resto da vida? - E ainda:

- Será, que viraste sado-maso e encontraste um novo lenitivo para a tua vida? Esquece mulher, pecados, todos nós cometemos, caramba!

Meia hora depois chegou Cândida com o marido, João. Sem mais delongas, lá lhes contou o que tinha feito. Ana e Paula enfastiadas bebericavam as suas colas bacardi enquanto Sofia estava à beira de um ataque de nervos.

- De facto, querida, isso nem parece teu, mas pronto, dá para ver que estás imensamente arrependida e é isso que importa! - Disse Cândida olhando João de um modo autoritário solicitando-o para a apoiar.

- Não te importes mais com isso! - Foi o que saiu ao pobre homem, acompanhado de um encolher de ombros.

A tarde corria inexoravelmente, quando surgiram Inês, Susana, Miguel e Pedro. Depois dos “Ah” e “Oh” de surpresa por a verem viva, apesar da cara de prisioneira de guerra, ela preparou-se para voltar à carga com a sua história. Sofia não aguentou mais e berrou:

- Arre, já chega mulher, não aguento uma quarta vez! Já toda a gente percebeu que fizeste porcaria e da grossa, mas por favor, não estejas numa de Egas Moniz a carregar com as culpas do mundo e tira o raio da corda do pescoço; até parece que mataste ou roubaste alguém, caraças! Se queres continuar com essa história, o melhor é escreveres um mail e enviá-lo à malta que falta.

- Se calhar achas que aqui o pessoal é tudo uma cambada de santos! - Disse Paula dando uma risada. – Sabes? Agora até gosto mais de ti porque percebo que também falhas e fazes porcaria. Olha que às vezes até me irritavas!

- Só falta perdoares-te a ti mesma! - Acrescentou Ana.

- É, pelo menos agora pareces um pouco mais humana aos nossos olhos. – Disse Cândida. – A minha esperança de te ver um dia completamente solta é neste momento muito maior. Solta-te mulher!

- Desde que não sejam gases, por favor! - Rematou João.

Pela primeira vez, em muito tempo, deu uma sonora gargalhada. Reparou que o céu tinha azulado mais e deixou que a luz do sol lhe penetrasse morna e doce o rosto. Estava rodeada de gente que verdadeiramente a amava, apesar das suas neuras solitárias, longuíssimos silêncios e pecados. Queria voltar a viver e sair daquele maldito estado de alma a que ser humano nenhum deveria condenar-se eternamente. Desde muito jovem que aprendeu o significado das palavras amizade, perdão, tolerância, esperança e solidariedade. Desta vez, apreendeu-lhes o sentido e cresceu imenso como pessoa. Olhou para cada um daqueles maravilhosos seres em jeito de reconhecimento por estarem ali, por existirem, por a amarem.

Renasceu.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Hoje lembrei-me de ti

























Ao responder a um tópico de um fórum lembrei-me de ti. Fui ao meu baú de memórias e encontrei este soneto que escrevi, naquela altura tão dolorosa em que te perdi. Vou deixá-lo neste meu diário, mais ou menos, público. Merece-lo!


Soneto triste

Vem garra adunca da agonia lenta
Massacra o corpo que escapar nem tenta
Do sangue que a mísera carne verte
Já nem a sente a minha alma inerte

Em rancor e ira meu amor se converte
Tão longe de mim estava perder-te
Eu que de mágoas parecia isenta
Ignorava quão grande seria a tormenta

Atada à tristeza está minha vida
Que por setas certeiras foi ferida
Frágil, balanço como um raminho

Chora comigo fonte do caminho
Grita comigo ave do teu ninho
Sintam comigo a dor de estar vencida

(Duca)

sábado, dezembro 16, 2006

A Montanha Pariu Um Rato

Mais uma vez a montanha (o alarido da comunicação social) pariu um rato (suspensão do processo movido pelo Dexia contra José Veiga, por dívida de 1,5 milhões de euros).

Esperemos que com Maria José Morgado como coordenadora da investigação do processo apito dourado, as coisas não fiquem em águas de bacalhau como quase sempre acontece, e os responsáveis sejam julgados e condenados. O nosso sistema judicial precisa urgentemente de alguma credibilidade!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Morreu Augusto Pinochet


Morreu um dos homens mais cruéis da história do pós-guerra. Augusto Pinochet, morreu sem ser condenado pelos seus hediondos crimes, junto da família.
Deixou milhares de órfãos no seu país. Deus tenha compaixão da sua pobre e triste alma.

Tenho, no entanto, que dizer que o surgimento na cena política internacional de ditadores como Pinochet, se deve ao facto de existirem indivíduos como Salvador Allende e vice-versa.

Antes que aqueles que se posicionam em termos ideológicos à esquerda desatem a chamar-me nomes, peço o favor de primeiro lerem e depois aquilatarem sobre o que penso.

Numa pequena resenha histórica, Ferreira Fernandes na sua crónica “Bilhete Postal” do Correio da Manhã de hoje, lembrou e bem, que a primeira tentativa de colonização do Chile foi feita pelo espanhol Diogo Almargo rival do conquistador do Peru, Francisco Pizarro.

Ora, Almargo não chegou a colonizar o Chile porque se convenceu que este país nada valia voltando então ao Peru, considerado à época, a terra do ouro.

A verdade é que da parte de Diogo Almargo houve um tremendo equívoco pois o Chile valia mais que qualquer país vizinho.
As ditaduras que eram apanágio nos outros países da América Latina, não viriam a existir no Chile, salvo raríssimas excepções.

De facto, o Chile teve bons governantes, exército e marinha respeitadores da Constituição e um povo mais feliz do que os restantes latino-americanos.

Então, porque raio quis Salvador Allende para o Chile, um modelo comunista soviético que mais não era que uma ditadura de esquerda que teve como principal representante, um monstruoso ditador chamado Estaline cujas mãos ficaram manchadas com o sangue de 22 milhões de russos?

Porque raio Salvador Allende, considerado um homem de bem, com bom carácter e inteligente, se deixou enganar por tal modelo ao ponto de o querer para os chilenos?

Porque raio Salvador Allende deixou um país economicamente forte à beira da banca rota?
Não terá sido este, o rastilho de pólvora de um golpe de estado ditatorial de direita liderado por uma bomba de consequências terríveis chamada Augusto Pinochet?

Sinceramente, não consigo deixar de pensar nisto, até porque, em Portugal tivemos uma situação bastante parecida.

Devido aos exageros e deslumbres de uma primeira república portuguesa pluripartidária, muitos foram aqueles que querendo molhar o bico, fizeram constantes golpes de estado, com consequências desastrosas para a economia do nosso país colocando-o, também, à beira da banca rota, dando azo ao aparecimento de um ditador chamado Oliveira Salazar.
Não, não sou fascista, sou uma simples democrata que detesta todas as formas que as ditaduras podem tomar e alguém que não sendo ceguinha, tenta não se deixar manipular - pois gosta de pensar pela sua cabeça - e se está nas tintas para o politicamente correcto.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Um pouco de poesia






















De vez em quando apetece-me escrever poesia e quando o faço, saem-me quase sempre sonetos. Aqui deixo um.

SEDUÇÃO

Primeiro olham-se, quase a medo
Os corações soltam-se do degredo
De novo se olham num devaneio
Com seduções de permeio

Delírio!

Nos corpos há desejos contidos
De toques e mãos envolventes
Que lhes entorpecem os sentidos
E lhes devassam as mentes

Desvario!

Olhos incandescentes, bocas ávidas
Corpos nus numa união sem pudor
Saliva, suspiros, palavras gemidas

Excitação!

Pernas entrelaçadas com ardor
Suor, gritos, carnes vertidas
Seivas que inundam amor

Explosão!

(Duca)