quinta-feira, junho 28, 2007

Amanhã e no fim de semana vou estar ...

... aqui!



Na cidade que desde ontem e até domingo é a mais LGBT da Europa. Madrid.

E tudo por causa disto.

Eu sei que na segunda feira venho arrasada, mas quero lá saber!

terça-feira, junho 26, 2007

Strip Tease III - Excitação aleatória? Erotismo?

Blond Odalisque (L'Odalisque Blonde) de François Boucher


Nos comentários a este post a Cosmopolita colocou uma questão que julgo ser merecedora de um tópico e, consequentemente, de debate de opiniões. Assim, transcrevo o que ela disse e a seguir dou a minha opinião.

“Desculpem interromper a discussão, mas queria fazer só uma pergunta às mulheres que leram este post e pôr a debate essa questão.Li há muitos anos um livro do sociólogo, jornalista e professor Francesco Alberoni que se chama "O erotismo" e em que se fazia a análise do erotismo do homem comparando-o com o da mulher.Revi-me bastante no erotismo que ele associa à mulher. As raparigas, pelo menos as da minha idade, na adolescência são estimuladas pelos romances cor de rosa, os rapazes pela a playboy.Por isso fico perplexa com o facto de, actualmente, a mulher verbalizar o seu erotismo e expressá-lo em atitudes que sempre me pareceram bastante básicas e masculinas.Não que não goste de um bom streap tease, devo dizer-vos que das centenas que já vi, houve poucas pessoas que o soubessem fazer de forma artística, fossem eles travestis ou mulheres, um artístico, sensual e estético strep tease.Sempre achei que seria mais interessante, vejam lá vocês, porque mais íntimo, ver uma mulher a vestir-se com arte do que a despir-se! :)Mas a questão que ponho aqui à vossa discussão é a seguinte: vocês ficam excitadas por verem uma mulher que não vos é nada a despir-se? Babam-se por ela? Primariamente como os homens?Se sim, devo dizer que vos invejo, porque para que eu sinta alguma coisa quando uma mulher se despe, é preciso mesmo que eu goste muito dela de alguma maneira. Não consigo sentir nenhuma excitação de forma aleatória por nenhuma anónima num show de streap tease público. Com ou sem celulites. Podem levantar-se "paus", mas não sensibilidades, na minha óptica.”



A primeira vez que vi um strip tease, foi em Paris quando tinha 21 anos e achei um espectáculo maravilhoso.

A arte com que a stripper se despia era de uma beleza extraordinária. Lembro-me de ter pensado "mas como consegue ela fazer algo tão corriqueiro como tirar a roupa, com tamanho talento e sensualidade?"

Essa mesma stripper acabava o seu número vestindo-se com a mesma arte, sensualidade e beleza com que anteriormente se tinha despido. Por mais anos que passem, nunca mais me esqueci desse strip tease embora já tenha assistido a muitos outros.

Nunca me senti excitada com um show deste género feito por uma profissional, mas não lhe fico indiferente se ela, com arte e sensualidade, se souber despir.

Sendo o strip tease a arte de despir de roupagens o próprio corpo e, dado admirar a beleza feminina, prefiro vê-lo feito por uma mulher do que por um homem. Contudo, não é o facto de ter preferência sexual por mulheres que me faz sentir sexualmente excitada e muito menos babar com uma stripper por mais bela que ela seja.

segunda-feira, junho 25, 2007

Tempus de Grelos


A Angell nomeou no seu blogue Imagine Me And You... Forever o Tempus Blogandi como um dos seus cinco blogues favoritos. A ideia é da Marta F. que com o Blogue Com Grelos, pretende premiar blogues femininos.

Agradeço à Angell esta primeira nomeação que o Tempus Blogandi recebe dando-me o mote para deixar aqui as minhas nomeações que vão para os seguintes blogues:

Azinhaga da Cidade
Contra Capa
De veludo e Sangue
Ela
Uva na Vulva

Visitem-nos que não se arrependerão.

Há mais blogues femininos que me caíram no goto, mas só posso nomear cinco. Um destes dias abro um post com os links de outros blogues de que gosto muito.


quarta-feira, junho 20, 2007

Strip Tease II

Eu e a Citadina recebemos por email dois vídeos de uma amiga comum com a seguinte pergunta: "Será que tenho de abrir um blog para publicar isto?"
Minha querida, a abertura de um blog não seria má ideia, mas sabendo como és uma mulher "ocupada", publico um dos vídeos e a Citadina publicará o outro ainda hoje no Azinhaga da Cidade, portanto, quase em simultâneo.
Assim, aqui fica a Mylène Farmer que faz 46 anos a 12 de Setembro, num belo strip tease enquanto canta "L'Amour N'est Rien". E depois, não digam que os figos maduros não são os melhores.
Deliciem-se!



L'amour n'est rien

Obsédée du pire
Et pas très prolixe
Mes moindres soupirs
Se métaphysiquent...
J'ai dans mon ciel
Des tonnes de célestes
M'accroche aux ailes...
Et tombe l'ange Gabriel!

Obsédée du pire
Un peu trop physique...
L'envie de frémir
Est pharaonique !
...Fi de l'ascèse !
Ma vie s'enténèbre
Moi sans la langue
Sans sexe je m'exsangue !

L'amour, c'est rien !
Quand c'est politiquement correct
On s'aime bien
On n' sait même pas quand on se blesse
L'amour c'est rien
Quand tout est sexuellement correct
On s'ennuie bien
On crie avant pour qu' ça s'arrête
La vie n'est rien...
Quand elle est tiède !
Elle se consume et vous bascule
Le sang en cendres de cigarette
La vie est bien...
Elle est de miel !
Quand elle s'acide de dynamite
Qui m'aime me suive!

Obsédée du pire
Et pas très prolixe
Mes moindres soupirs
Se métaphysiquent...
J'ai dans la tête
Des tonnes de pirouettes
Le saut de l'ange
N'a pour moi rien d'étrange

Obsédée du pire
Et pas très prolixe
Partager mes rires
Plutôt plutoniques
J'ai dans ma sphère
Un effet de serre
Mon sang bouillonne
Je bous de tout, en somme

segunda-feira, junho 18, 2007

Strip tease, Rubens e conversa da treta



Stripper (desenho de autor desconhecido)





The Three Graces (Rubens)


No passado Sábado, a minha querida amiga Citadina fez 35 aninhos e resolveu fazer uma festa de arromba. Pelas 21h00, encontravam-se no restaurante cerca de 30 pessoas para a mimarem.

Depois do jantar, que decorreu animadíssimo, alguns dos convivas rumaram até à discoteca Maria Lisboa que de dia para dia se vai tornando num local de diversão obrigatório da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) lisboeta, com uma predominância feminina que ronda os 80%. De registar que a discoteca é completamente hetero-friendly.

O espaço é amplo, bonito, moderno, com música desde os anos 80 e que põe a grande maioria das pessoas a dançar. Há também vários tipos de shows ao vivo, com especial destaque para o strip tease feminino que deixa as meninas presentes muito felizes, pois claro!

Pelas 02h00, um colaborador da discoteca começou a fixar o varão metálico do estrado em formato quadrangular que se encontrava no centro da pista de dança. O strip iria começar dentro de minutos e as pessoas começaram a aproximar-se do estrado procurando o melhor local para visionar o show.

A stripper entrou trajando tailleur, chapéu e sapatos altos. Nunca lhe pude ver o rosto pois a moça mostrou-se sempre de costas a quem estava no local onde me encontrava. À primeira vista, dava para perceber que possuía um belo par de pernas que a saia curta deixava adivinhar.

Ao meu lado, uma mulher de uns trinta e poucos ou muitos anos (a iluminação não permitia ver bem) de aspecto que seria vulgar se não fossem os seus belos olhos verdes, mete conversa comigo.

Olhos verdes - É pena que seja um gajo, não acha?

Eu - Um gajo? (estás ceguinha, filha? Os teus olhos não são verdes são é cegos!) Não! Se fosse um gajo, garanto-lhe que eu não estava aqui e sim sentada lá ao fundo.

Olhos verdes - Porquê? Não gosta de travecas?

Eu - De travecas não gosto, mas aprecio alguns shows de travesti desde que feitos com classe e arte. Infelizmente são cada vez mais raros em Portugal.

Olhos verdes - Pois olhe que me parece um gajo...

Eu - Olhe que está enganada. (pobrezinha, já estás como hás-de ir!) Nenhum gajo, por mais operado que seja, consegue ter aquele par de pernas, quadris e cintura. Vai uma aposta?

Olhos verdes – Hum ... É melhor não. (momento único de lampejo cerebral no meio de tanto álcool)

Entretanto, a stripper despiu o casaco e a saia ficando em lingerie.

Olhos verdes – Ah, tem razão, é uma mulher mesmo e tem um pouco de celulite. Que pena!

Eu – E então?! Não sabe que uma mulher sem celulite é como um jardim sem flores?

Olhos verdes – Mas numa mulher tão jovem não se admite, ainda por cima stripper!

Eu – Não se admite?! O facto de ser jovem e de ter pretensões a stripper (dava para perceber que a moça tinha jeito mas não era profissional) não a faz ser menos mulher. A celulite num homem é que é inadmissível. Numa mulher é perfeitamente normal.

Olhos verdes – Mas nos padrões actuais de beleza feminina, a celulite é proibida.

Eu – Os padrões de beleza somos nós, mulheres, que os criamos e é sobejamente conhecida a enorme tendência que temos para complicarmos a nossa vidinha. Sim, porque as mulheres sempre tiveram celulite e foi só, desde que apareceu aquela magrizela pavorosa da Twiggy, que resolvemos combater algo que nos é natural. Daí à anorexia foi um passo. Se o Rubens fizesse uma viagem no tempo, dava-lhe uma coisinha má. Tadinho!

Olhos verdes – O quem?!

Eu – O Rubens.

Olhos verdes – Hein?!

Eu – Esqueça ...

Olhas verdes – Estou a ver que prefere as mulheres de formas cheias...

Eu – Hum ... (olha-me esta, o que tens a ver com isso? Formas generosas, não cheias. Até parece que se sopram. Bah!) nem por isso. As minhas preferências vão para mulheres inteligentes independentemente das suas formas.

Olhos verdes – Ah, as intelectuais ... estou a ver.

Eu(Não tás a ver coisa nenhuma ... mas adiante ...) Por aí ... (o raio do show não acaba para me livrar da senhora inspectora ...)

A stripper terminou a actuação para grande alívio meu que me preparava para rodar nos calcanhares e pirar-me para junto das amigas.

Olhos verdes – E prefere as intelectuais morenas, loiras ou ruivas?

Eu(E se deixasses de me chatear a molécula?) Multi-étnicas ... tenho de ir, desculpe.

Olhos verdes – Hã?! ... ok ... tchau ...

Eu – Ufa!

quinta-feira, junho 14, 2007

O amor exige expressão!

Acabei de ler um pequeno livro da escritora brasileira Cintia Moscovich com o título Duas Iguais editado em Portugal pela Bico de Pena em 2006.

A história, apesar de um pouco depressiva, é interessante, lê-se bem e está muito bem escrita.


Foto de Igor Amelkovich



O livro conta uma história de amor entre duas adolescentes e começa com uma frase da autoria de Jeanette Winterson que considero brilhante: "O amor exige expressão. Ele não pode permanecer quieto, não pode permanecer calado, ser bom e modesto; não pode, jamais, ser visto sem ser ouvido. O amor, deve ecoar em bocas de prece, deve ser a nota mais alta, aquela que estilhaça o cristal e derrama todos os líquidos."



O amor não pode ser bem comportado.




Como dizem os médicos franceses desde o século XIX: “dans la médecine comme dans l’amour, ni jamais, ni toujour!”


Viver o amor com uma expressão como a de Leila Míccolis no seu

Poema ao mais recente amor

Estar entre teus pêlos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer;
beber parte de teus líquens e teus rios
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.

quarta-feira, junho 06, 2007

Vovó Blogueira


Maria Amelia López Soliño, espanhola, de 95 anos, considerada a primeira blogueira de mais idade da Internet.
Maria Amelia recebeu de um neto como presente pelos seus 95 anos, o blog "A mis 95 años" tornando-se bastante produtiva pois, em pouco mais de dois meses, já tinha mais de cem posts publicados com grande participação por parte de leitores de várias partes do mundo.
"Navegar pela Internet para uma senhora da minha idade é um sonho, e nunca pensei que ia causar tanta notícia. Imaginei que algumas pessoas me fossem responder, mas tenho leitores de muitos países e todos me incentivam a continuar e me desejam longos anos de vida. Não sou uma mulher interessante, mas parece que agradei", diz ela numa das entradas no blog.
Esta "vovó da internet" como é conhecida, tem algumas dificuldades decorrentes da sua idade como, por exemplo, a vista porque precisa estar muito perto do teclado para ver com clareza as teclas. Na tela, é mais fácil: basta tornar maior o tamanho das letras.
Com a ajuda do neto, Daniel, lá vai mantendo o seu blog vivo.
Deixo aqui a minha singela homenagem a esta Senhora. Se chegar à sua idade, gostava de ter a força, a vontade e as ganas de viver que ela tem.
Um exemplo para todos nós.

segunda-feira, maio 28, 2007

São rosas ... senhores!


Há uns dias fui tomar café com um amigo a uma pastelaria perto do meu local de trabalho. Estávamos naquela cavaqueira de quem já sabe tudo ou quase sobre o outro e, na falta de novidades, opta pela conversa de circunstância ou pelo silêncio.
Ao fim de uns minutos, entra na pastelaria uma mulher de fazer parar o trânsito.
A pastelaria quase paralisou, tudo o que mexia ficou boquiaberto a olhar para aquela deusa. Acho que até os pombos que cá fora inchavam o peito, fazendo-se maiores e rodopiando à volta das pombas na constante tentativa de acasalarem, ficaram por momentos a desejarem pertencer à espécie humana.
Para além de lindíssima, tinha um rosto perfeito e um corpo que parecia ter sido cinzelado por um escultor, possuía algumas características que sempre apreciei numa mulher mesmo quando não é bonita, ela deitava por todos os poros classe, charme e sedução. Estaria na faixa etária entre os 35 e os 40 anos.
Eu e o meu amigo estávamos sentados na mesa próxima do local, ao balcão, onde ela se encontrava de pé. Nenhum de nós se preocupou em ser discreto e deixou-se ficar a olhar para aquela Afrodite.
Sentindo-se observada, ela olhou na nossa direcção com um sorriso que parecia dizer: "Compreendo-vos tão bem, porque sei como sou bela e desejável!" No entanto, sem qualquer arrogância, pelo contrário, o seu olhar, sendo sedutor, era macio e doce.
Ela acabou de tomar o seu café e saiu para grande pena nossa. O meu amigo, levantando a sobrancelha esquerda disparou:
- Este tipo de mulheres causam-me azia!
- Mas tu ensandeceste, homem? Como pode um gajo heterossexual convicto e militante dizer que uma mulher tão deslumbrante lhe dá azia? retorqui-lhe eu.
- Tu não compreendes! respondeu-me com aquele irritante ar paternalista que os homens adoram ter com as mulheres, mesmo quando estas são, como eu, lésbicas, feministas e, portanto, transgressoras.
- Porque não experimentas explicar-me? Eu sei que às vezes sou lerda, mas tenta! disse-lhe começando a sentir uma ligeira irritação chegar-me à pituitária.
- Não vês que o comum dos homens não consegue chegar àquilo? Portanto, gajas destas deviam ser proibidas de sair à rua ou então sair de burka vestida! A azia que sinto é provocada pela noção de impossibilidade de comer uma gaja daquelas! explicou-se ele.
- Não estás a falar a sério, pois não? perguntei-lhe.
- Estou a falar mesmo muito a sério! Estas gajas mostram-nos como somos vulgares e nós homens não gostamos disso! disse com o ar mais sério que lhe conheço.
Fiquei possessa mas consegui controlar-me com alguma dificuldade. Aquele indivíduo pode ser meu amigo, mas estava armado em parvo e eu tinha que lhe dar um arraso o que, aliás, não seria a primeira vez; deve ser por isso que continua a ser meu amigo.
- Mas que grande sacana me saíste! - Vociferei. - Então, lá porque a maioria dos homens não é capaz (acentuei a palavra 'capaz' propositadamente) de seduzir uma mulher assim, ela tinha de ser proibida de sair à rua, ou andar de burka, para que vocês não se confrontassem com as vossas limitações no que à arte de seduzir certas mulheres diz respeito? Mas quem te julgas tu? O centro do universo? Vai-te tratar, homem, que já morreste e ainda não sabes!
O meu amigo engoliu em seco e olhou-me como se não tivesse compreendido a razão porque eu estava tão furiosa e, isso, ainda foi o que mais me irritou, a sua completa falta de noção do real significado do que acabara de dizer como se, o que disse, fosse a coisa mais natural do mundo.
Quando é que as mulheres começam a educar os homens de modo a ensiná-los, de uma vez por todas, que o universo não gira à volta deles?

terça-feira, maio 22, 2007

Espermatozóide feminino? - A Ciência e a Igreja






Aqui está um tema bem quente e polémico.

O cientista iraniano Karim Nayernia anunciou ter obtido espermatozóides sintéticos a partir de células-tronco de homens. Não satisfeito, Karim quer agora usar células de mulheres para o fabrico de espermatozóides sintéticos femininos e, para tal, já solicitou autorização ao conselho de ética para o fazer.


Se tal vier a acontecer, um casal de lésbicas poderá vir a fazer sexo também com fins reprodutivos. As duas serão mães biológicas dos seus bebés que terão o mesmo código genético de ambas as progenitoras. Como as mulheres não possuem cromossoma Y, só poderão fazer bebés do sexo feminino.


A propósito desta notícia e aproveitando a recente visita do Papa Bento XVI ao Brasil, a escritora e compositora brasileira Vange Leonel na sua coluna do Mix Brasil escreveu que de acordo com esta descoberta, a Terra poderá vir a ser povoada por milhões de filhas de lésbicas, podendo uma delas até vir a ser Papisa e que, nessa altura, o Vaticano não terá outro remédio senão dizer que o sexo entre lésbicas com fins reprodutivos é abençoado por Deus.


Ora leiam lá o texto todo que sendo sério, não deixa de ter o seu lado humorístico.


quinta-feira, maio 17, 2007

Dia Internacional Contra a Homofobia


O francês Louis-Georges Tin, autor do Dictionnaire de l'Homophobie (PUF-2003) escolheu o dia 17 de Maio como o dia internacional da luta contra a homofobia porque, este dia, marca a decisão por parte da Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) em retirar da sua lista de doenças mentais, a homossexualidade. Esta decisão da O.M.S. aconteceu há precisamente 17 anos.
No Portugal Gay podem consultar as várias actividades programadas para este dia.
A homossexualidade não é uma doença. A homofobia é que é uma doença.
Em Portugal, os homossexuais não são cidadãos de pleno direito. No entanto, há países onde a homossexualidade é considerada crime e outros, ainda, onde a condenação por homossexualidade é a pena de morte.
ABAIXO A HOMOFOBIA!

terça-feira, maio 15, 2007

Lesboa Party IV - Comentários ao balanço

A organização Entre Vírgulas, no seu blog, faz um balanço da 4ª edição da Lesboa Party. Depois da leitura do que é dito, fiquei sem qualquer vontade de fazer comentários mas, pensando bem, não me posso calar, sob pena de pactuar com certas coisas com as quais não concordo em absoluto.

Assim, vou passar a fazer copy paste das partes que considero merecerem o meu reparo e que colocarei a bold e itálico, a que se seguirá o meu comentário.

“O formato da Lesboa Party, desde a sua génese, não apresenta uma “residência fixa” para a realização da festa. Esta ocorrerá nos locais mais diversificados e até imprevistos (desde uma instalação fabril abandonada a um castelo).”

Muito bem, então porque lhe chamam LESBOA? Que eu saiba, o Pragal não é em Lisboa! E as tais revistas estrangeiras de que a organização tanto se orgulha e que disso nos tem dado nota no blog, ligam o nome Lesboa à cidade de Lisboa e à palavra lésbica. Ora vejam lá o que diz a revista francesa Têtue.

“O blog da Lesboa Party sempre foi um espaço de divulgação e partilha, aberto a todo e qualquer tipo de manifestações construtivas.Não admitimos, porém, o atropelo a um direito básico como é o do respeito pelo bom nome de pessoas (singulares ou colectivas), sobretudo quando quem desrespeita o faz de uma forma gratuita, usando várias identidades, um mesmo IP.
A partir da 3ª edição, vimo-nos obrigados a cancelar a opção de comentários anónimos a fim de evitar mensagens desagradáveis e maldosas feitas por nicks diferentes, mas provenientes de um mesmo IP, cujo objectivo era ridicularizar e pôr em causa o bom nome e a honra de público, artistas e pessoas envolvidos na Lesboa Party.
Após a última edição, voltaram a surgir comentários, de teor nitidamente ofensivo, agora assinados por usuários registados no Blogger (mas sem blogues activos), que levaram a Organização a decidir pela anulação do sistema de comentários, penalizando assim aqueles que, de boa fé, utilizavam este espaço para expressar as suas opiniões.”

Primeiro, eu, Duca, encontro-me registada na blogosfera através deste blog, não utilizo mensagens anónimas e nunca desrespeitei o direito básico ao bom nome de ninguém. Sinceramente, isto parece-me mais uma desculpa esfarrapada e de mau pagador, até porque, como responsáveis pelo blog, cabe-lhes o direito de apagarem os comentários insultuosos ou ofensivos deixando ficar os outros.

Segundo, começam por dizer que cancelaram a opção comentários a partir da 3ª edição e depois referem que nesta última edição (a 4ª) surgiram comentários ofensivos. Pergunto, em que ficamos? O meu comentário e os das Vossas Vizinhas, perfeitamente identificados e com os respectivos blogs activos, foram ofensivos ou foram no sentido de darem uma nota muito negativa, o que iria contrariar a “nota positiva e de destaque” da organização?

“A 4ª edição da Lesboa Party, realizada no Sábado, dia 5 de Maio de 2007, levou até ao Armazém C2, junto às Docas, em Lisboa, cerca de 1.600 pessoas.”

O quê? 1.600 pessoas? Essa contagem não foi inflacionada nem nada? É verdade que só lá estive até às 02h30 da manhã e, a essa hora, aquilo não tinha mais de 800 pessoas, contudo, falando com gente que lá esteve até quase final, a informação que retive é que não estiveram na festa mais de 1.000 alminhas. Adiante...

“Tendo em conta o “deserto” de iniciativas, festas e espaços abertos à diversidade, o facto da Lesboa Party existir e se manter de pé é por si mesmo digno de registo, merecendo mesmo ser nota positiva e de destaque, aqui registada.”

O deserto de que fala a organização está a tornar-se, aos poucos, num jardim, mas mesmo que assim não fosse, isso não lhes dá o direito de tratarem a comunidade LGBT como pessoas de segunda e, ainda, fazerem comentários como este “É pena que aquilo que o público espera encontrar numa festa, com o formato da Lesboa Party, nem sempre corresponda às expectativas, cada vez mais altas e legítimas” onde se vislumbra uma indisfarçável crítica por sermos exigentes. Para além disso, quem altera o formato da Lesboa Party e cria as expectativas é a própria organização e para que se comprove isso, basta uma breve leitura do blog.

Enfim, resta-me esperar que a festa do dia 30/06 no Pragal (?) seja um grande sucesso, não tanto pela organização Entre Vírgulas mas pelas pessoas que lá vão. Eu, pela primeira vez, não vou pois entre o Pragal e Madrid prefiro esta última.

domingo, maio 13, 2007

Descobrindo a homossexualidade dos filhos


A professora universitária reformada, Edith Modesto, descobriu há uns anos que um dos seus filhos era homossexual.
Nesta entrevista, esta mãe brasileira, fala-nos do que sentiu e como reagiu, quando confrontada com uma realidade para a qual não estava preparada, a homossexualidade do seu filho.
Conta-nos, também, a razão porque fundou o primeiro grupo de pais e mães de homossexuais do Brasil.
A entrevista tem a duração de 16:35 com intervalos. Aconselho o seu visionamento.
Para os pais e mães de homossexuais portugueses, neste link do Portugal Gay poderão obter informações que os podem ajudar.

terça-feira, maio 08, 2007

Lesboa Party IV - Rescaldo de um fiasco

Começo já por dizer que esta foi a pior Lesboa de todas. E vou explicar porquê.

A organização Entre Vírgulas, responsável pela Lesboa Party, anunciou no seu blog que as portas do armazém C2 abririam às 23h30. Quando cheguei eram 00h15 e ainda não se podia entrar no local, apesar da fila de gente que se encontrava na rua ao frio.

Quando entrei, vi um armazém decorado e iluminado com uma pobreza que confrangia e extremo mau gosto.

Tendo em conta que as três anteriores edições foram realizadas em espaços magníficos, não se percebe a falta de empenho da organização desta vez. Não basta um espaço onde caiba muita gente e meia dúzia de aparelhagens.

Por volta das 00h30, entraram no palco a EZGIRL e a respectiva irmã que, em vez de actuarem, começaram a pôr música quais improvisadas DJ’s de terceira categoria. O pessoal que se apinhava junto ao palco estava expectante e o raio das americanas só berravam para que o pessoal dançasse. O pessoal nem dançava, nem arredava pé, continuando a olhar para aquelas duas mulheres sem perceberem muito bem o que se passava e, talvez, aguardando a vinda de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro que lhes trouxesse a tão aguardada e publicitada performance.

Apesar de a organização já ir na quarta Lesboa, não há meio de acertarem com o som. Ainda não perceberam que quando se procura um espaço para uma festa, se deve testar a acústica do mesmo, ou então, procurar através de técnicas de sonoplastia um som audível sem que nos ensurdeça.

O piso era tão irregular que quem se atrevesse a dançar, principalmente as mulheres que usassem salto alto, corriam o risco de sofrer entorses.

As oito cabines de WC, colocadas fora do armazém, obrigavam as pessoas a estarem à espera, ao frio, para depois terem a grata surpresa de as encontrarem sem iluminação, sem papel higiénico e sem qualquer lavatório.

Pela primeira vez numa Lesboa, havia dentro do recinto da festa um carrinho que vendia cachorros e cachorrões. Pois … vou ao WC, não lavo as mãos depois de o utilizar porque não tenho onde e a seguir dá-me a fome e vou comer um cachorro … está bem!

Pelas 02h30, com vontade de fuzilar as duas americanas que não se iam embora nem à cacetada e que continuavam a pôr músicas pavorosas, pisquei-me.

Ora, tudo isto por 15 € contra os 10 € das edições anteriores, a troco de entrada e de uma bebida que, no meu caso, foi um whisky mal servido, cheio de gelo e água.

Portanto, os 5 € a mais em cada bilhete serviram para pagar às americanas que foram de uma mediocridade gritante. Isto custa, caramba!

Lesboa Party IV, um verdadeiro fiasco.

Sugestões para a organização:

Se querem manter o preço dos bilhetes a 15€ façam para que a festa o mereça. Aumentar 50% o valor de uma entrada com direito a uma bebida para se piorar a qualidade e, tentar maquilhar tudo isto, publicitando no blog referências à Lesboa encontradas em vários órgãos de informação portugueses, franceses e ingleses, para que quem vos lê crie expectativas, que só o aumento do preço criaria, e gorá-las de uma forma quase insultuosa, é pouco profissional e desrespeitador.

Procurem um espaço com boas condições de acústica, piso regular, com casas de banho com iluminação, papel higiénico e lavatório.

Cuidem a decoração e iluminação que, mesmo minimalista, pode ser com bom gosto.

Contratem a prata da casa porque temos cá gente de grande qualidade. Fica-vos mais barato e a nós também.

Não tratem a comunidade LGBT como se fossem pessoas de segunda categoria e que ficam felizes com qualquer porcaria que se lhe ponha à frente, sob pena de nas próximas edições da Lesboa, apenas aparecerem meia dúzia de adolescentes histéricas(os) porque o restante pessoal se pirou para outros locais, como Madrid, onde eu me arrependi de não ter ido este fim de semana ao festival lésbico Nosotras Somos Todas.

Por fim, mais duas sugestões bastante importantes:

- Não censurem os comentários negativos mas não insultuosos feitos à festa no vosso blog, apagando-os e não os permitindo. Foi o que fizeram ao meu comentário e ao de cada uma de duas amigas minhas, As Vossas Vizinhas. Essa, é uma atitude arrogante de quem julga que sabe tudo e que não precisa ler ou ouvir críticas. É através da crítica que podemos aprender e melhorar.

- Ouvi dizer que a próxima Lesboa é no Pragal! Espero bem que isto não seja verdade, porque para além de desvirtuarem o nome da festa, Lesboa, muita gente não vai lá pôr os pés e é o começo do fim desta vossa iniciativa. O velhinho ditado "cria fama e deita-te a dormir" bem demonstrativo de uma certa maneira de estar muito portuguesa durante anos, nos tempos que correm, já não funciona porque a concorrência é feroz e a informação do que se passa lá fora chega a todas as pessoas.

Desçam à terra e deixem-se de deslumbramentos porque vocês ainda são uns aprendizes e, por favor, respeitem aquelas(es) que vos têm dado dinheiro a ganhar.

quinta-feira, maio 03, 2007

Homossexualidade e Identidade de Género

Porque este blog também pretende ser didáctico, sempre que encontro textos, imagens ou vídeos que possam ajudar à visibilidade da comunidade LGBT, ou que possam colocar o dedo na ferida relativamente a situações de preconceito e/ou discriminação, ajudando-nos a reflectir, não hesito em fazer aqui uma chamada de atenção.

Tive acesso a um documento da rede ex-aequo que responde a várias questões sobre homossexualidade e identidade de género.

O documento está muito bom e aconselho vivamente a sua leitura, pois desmistifica ideias preconcebidas e erradas que continuam a existir na cabeça de muita gente.

O documento está dividido em quatro tópicos sendo estes:

1- Questões sobre Orientação Sexual
2- Dúvidas e Mitos sobre Homossexualidade
3- Os Homossexuais e o seu Quotidiano
4- Questões sobre Identidade de Género

Mesmo que julguem saber todas as respostas a estas questões, não deixem de arranjar um pouco de tempo para o ler, pois há sempre coisas que não sabemos.
Para acederem ao link do documento, basta clicarem no título do post.

segunda-feira, abril 30, 2007

A um clic do CAMINHO


Porque gosto da simbiose entre imagens e palavras, venho chamar-vos a atenção para um blog muito recente de nome O Caminho Fica Longe com imagens e textos da sua autora, S.L. Ora, dêem lá um salto que os vossos olhos e alma agradecer-vos-ão.

domingo, abril 29, 2007

Lesboa Party - 4ª Edição




A 4ª edição da Lesboa Party, festa organizada pela Entre Vírgulas em Lisboa de 3 em 3 meses, mais ou menos, e dirigida à comunidade LGBT, apesar de hetero-friendly, é já no próximo sábado, dia 05 de Maio, em local diferente do das duas últimas, pois desta vez será nas docas de Alcântara no armazém C2 que no mapa está assinalado pela letra A. A abertura de portas será às 23h30 como é usual.

Nesta 4ª edição, teremos como convidada especial, a cantora e compositora Elizabeth Ziff (aka EZGIRL) da banda Betty. A banda Betty tornou-se mundialmente conhecida através da série The L Word.

Aqui está um bom motivo para que o sucesso desta 4ª edição seja ainda maior que o das anteriores.

Eu, como sempre, lá estarei.

Para mais informações, cliquem aqui.

segunda-feira, abril 23, 2007

O melhor sexo está entre as orelhas!


A falta de inspiração, por vezes, é aconselhável porque nos faz encontrar, noutros locais, coisas excelentes que devemos partilhar. Eu, pelo menos, defendo isso.

Portanto, neste intervalo em que a minha inspiração resolveu meter férias, vou deixar aqui algo produzido pela minha queridíssima amiga Butch F, responsável pelo blog brasileiro erótico-lésbico Uva Na Vulva, uma das mulheres mais inteligentes, cultas e de bom gosto que conheço. Confesso-vos que muito tenho aprendido neste blog, cujos textos, dentro do género, são de enorme qualidade e excelência. Portanto, é meu privilégio apresentar este vídeo de extrema delicadeza e bom gosto ao nível da imagem e do som mas, acima de tudo, com palavras de grande sabedoria que nos fazem pensar sobre a nossa postura perante a própria sexualidade seja ela, homossexual, heterossexual ou bissexual e, ainda, este clip romântico acompanhado pela belíssima voz de K.D. Lang no tema Sexuality.

Bem hajas, BF!

terça-feira, abril 17, 2007

O preconceito existe, persiste e reinventa-se!

A sociedade portuguesa, entre outras, implementa através de legislação a proibição de comportamentos preconceituosos. A Constituição da República Portuguesa postula o princípio da igualdade, no seu artigo 13º da seguinte forma:

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.


O pleno reconhecimento da igualdade formal perante a lei não tem sido suficiente em Portugal e, como exemplo, os homossexuais não podem casar, apesar do artigo 1577º do Código Civil Português ser claramente inconstitucional, temos a violência de género, a diferenciação salarial, o maior desemprego feminino, a ainda escassa presença das mulheres nos postos de responsabilidade política, social e económica, as dificuldades de reconciliação entre a vida pessoal, laboral e familiar que nos mostram como a igualdade plena, efectiva, entre homens e mulheres, é ainda hoje uma tarefa pendente que apesar dos instrumentos jurídicos de que dispõe, carece de uma imensa acção política.

Mas também não é desta desigualdade real entre os géneros que vos quero falar.

Quero falar-vos de novas formas de preconceito que passam à margem da lei, cujas suas vítimas dificilmente se podem defender porque, de tão veladas, a matéria de prova é quase impossível.

Falo do covering. Já repararam que muitas pessoas não podem apresentar-se vestidas, penteadas ou calçadas de acordo com as suas tradições culturais, raízes ou livre forma de estar e de ser? É um facto! Só para vos dar um exemplo, um jovem com raízes africanas não consegue arranjar emprego, por exemplo, como segurança, se usar um penteado afro pois o que é considerado normal é o cabelo liso e, sendo demasiado encaracolado, deverá ser cortado bem curto.

Este VÍDEO mostra como o covering é uma realidade pois, apesar de ser filmado no Brasil contando-nos a história de jovens brasileiros, pode perfeitamente ser transportado para o que também se passa em Portugal. AQUI poderão ler todo o texto, resultado do estudo sobre o covering do americano Kenji Yoshino.

É caso para dizer, o preconceito existe, persiste e reinventa-se.

quarta-feira, abril 11, 2007

Campari - Red Passion


Aqui está um interessante filme publicitário da Campari.
Já por aqui falei da publicidade e de como, timidamente, vai ilustrando as várias possibilidades de ser da sexualidade humana, apenas comparada a uma nomenclatura de cores e suas infindáveis gradações, cuja melhor representação é, sem dúvida, o arco-íris.

sábado, abril 07, 2007

Figos, Morangos e Primavera!


Este Rodrigo Santoro é mesmo de cair.
Costumo pedir ao S. Pedro para na próxima vida vir, de novo, mulher e lésbica mas, pensando bem, o melhor é pedir para vir mulher e bissexual. As escolhas são muito mais variadas e os horizontes alargam-se.
O moço está a fazer um enorme sucesso em Hollywood e a sua última aparição na tela é no papel de Xerxes, no filme 3oo, onde está irreconhecível, mas igualmente sexy.
Ai Rodrigo, se eu não gostasse tanto de figos, morangos como tu também marchavam! Nesta Primavera estou muito assanhada! Miiiaaaaauuuuuu!